A correria pré-SPFW

- O Estado de S.Paulo

Criadores correm contra o tempo para que a apresentação seja impecável

Hoje, os holofotes que iluminam as passarelas da São Paulo Fashion Week ainda estão apagados. Porém, daqui a três dias, as salas da Bienal São Paulo abrigarão o maior evento de moda da América Latina. A lista dos estilistas participantes é de peso e, mesmo assim, com tanta experiência no currículo, a ansiedade e a correria dos criadores é similar à de um aspirante. Entre eles, há uma conclusão em comum: se tivessem de apresentar a coleção amanhã, seria praticamente impossível.No meio de centenas de botões, aviamentos, moldes, tecidos e cartela de cores, os profissionais responsáveis por desenvolver as peças que estarão no seu armário no próximo verão (confira no decorrer da reportagem as seis principais tendências para os dias quentes, antecipadas pelos estilistas do Senac) estão correndo contra o tempo para que tudo saia dentro do programado."Estou sem comer e sem dormir há um tempo. Isso vai se repetir até o dia da apresentação do meu desfile", conta o estilista Lorenzo Merlino, que, quando atendeu ao telefonema da reportagem pela primeira vez, teve de desligar - afinal, estava no meio de uma prova de roupa. "Agora é impossível falar com você. Pode ser daqui uma hora? Estarei no carro e aí fica bem mais fácil."Ao que tudo indica, o que menos falta para os criadores é a inspiração. O mais trabalhoso é desenvolver as peças, pois leva tempo e envolve o trabalho em equipe. Na maioria das vezes, no encerramento do desfile da atual coleção, eles já começam a pensar no que irão apresentar daqui a seis meses, sem tempo para deixar os neurônios descansando."O processo criativo vem com seis meses de antecedência, mas até tudo se transformar em verdade, fica mesmo para a última hora. Mudo sempre um detalhe", revela Marcelo Quadros. Após uma saída estratégica na edição passada, o estilista está de volta ao evento e apresentará sua coleção no dia 19, último dia de SPFW.Com tanto tempo para desenvolver uma coleção - geralmente são apresentadas 100 peças na passarela, que compõem cerca de 30 looks - chega a ser contraditória a justificativa dos profissionais de moda. Aos olhos dos leigos, parece que os criadores deixam tudo para a última hora. Porém, a turma de estilistas bate o pé e justifica a demora para finalizar uma peça."É um processo muito longo. Desenho a coleção no papel e passo para um modelista, que faz um molde e entrega para o cortador. Ele corta o tecido e leva para a costureira, que confecciona uma peça piloto. Feito isso, a roupa é levada ao ateliê e provada numa modelo. Aí, são feitas as correções, que vão para o modelista e o processo se inicia novamente", explica Merlino.Há 22 anos trabalhando no ramo da moda, o estilista e designer Mario Queiroz explica que nem sempre é necessário colocar a mão na massa e produzir uma peça. "Isso depende muito do processo de trabalho de cada profissional. Não costuro porque acho que não é essa a função do estilista. Ele não é nem para modelar nem para costurar. Ele cria o conceito da coleção e coordena o trabalho de costura e modelagem."Simone Nunes (que fará a sua segunda apresentação na SPFW) também acredita que não é preciso participar de todas as etapas de confecção, mas costuma dar os retoques finais nas peças. "O controle de qualidade é meu. Tenho uma equipe de excelentes costureiras, mas faço os ajustes", diz Simone. Os ajustes, por sinal, nem sempre são feitos na véspera do desfile. "É uma loucura! Teve uma vez em que eu estava cortando a barra da roupa da modelo e ela tinha que entrar na passarela em cinco minutos", lembra Quadros.Contando as horasA adrenalina também foi alta durante a estréia de Simone no maior evento de moda da América Latina. Segundo a estilista, ela achou que não fosse dar tempo de terminar a coleção antes da apresentação. "Foi o maior desespero. Faltavam 15 dias e estava tudo atrasado. Comecei a fazer as contas por horas para não me desesperar. Contando dessa maneira, tinha quase um mês em horas", revela.Talvez, o cálculo de Simone possa ajudar - e muito - a sua colega de profissão Erika Ikezili. Diferentemente dos outros estilistas, ela começou a pensar na sua coleção de verão há dois meses. "Está tudo pela metade. Os acessórios e os sapatos já estão prontos. Só faltam as roupas", confessa. Para ela, além de desenvolver as peças, o estilista tem de cuidar de toda a produção do desfile, escolher a trilha, preparar os convites e selecionar as modelos."Já fiz turnos de madrugada com a minha equipe para não atrasar a coleção. Talvez as marcas maiores tenham profissionais que cuidam da apresentação. No meu ateliê, todo mundo faz de tudo", finaliza.Para ser um estilista>> Anhembi Morumbi: 3849-595>> ECA/USP: 3818-5019>> IBModa: 3086-3521>> Santa Marcelina: 3826-9700>> Senac: 3865-4888>> Senai Vestuário: 3361-3787 >> Unip: 3170-3832