75% dos hospitais de SP falham em evitar infecções

Fabiane Leite e Alexandre Gonçalves - O Estado de S.Paulo

Levantamento em 158 unidades do Estado mostra que são raras as que conseguem cumprir todas as normas

A maioria dos hospitais paulistas, públicos ou privados, descumpre normas para o controle de infecções hospitalares,segundo estudo inédito requisitado pelo Ministério Público Estadual ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). As falhas foram detectadas dez anos depois de o Ministério da Saúde editar regulamentação que obriga as unidades a ter um programa de combate às infecções e uma equipe de profissionais dedicados à tarefa de evitar que fungos, bactérias e vírus prejudiquem os pacientes durante ou após a internação. Consulte a lista completa dos hospitais elaborada pelo CremespDe acordo com o levantamento, realizado a partir de uma amostra de 158 hospitais , representativa das 741 unidades hospitalares do Estado, 75% descumpriam alguns dos itens considerados essenciais para evitar infecções. Mesmo entre aqueles que declaravam ter programas de controle das infecções, 92% descumpriam algum dos pontos importantes para o trabalho ser considerado completo.O estudo é resultado de vistorias feitas pelo Cremesp entre outubro de 2007 e janeiro do ano passado. Segundo o conselho, não foram pesquisados níveis de infecção e os resultados não significam que o problema exista nesses hospitais.Entre as irregularidades encontradas estão equipes incompletas de controle de infecções - elas devem ter no mínimo dois técnicos para cada 200 leitos - ou até a ausência de comissões , além de falta de lavatórios e métodos de trabalho inadequados nas centrais de esterilização de materiais, como falta de separação adequada de instrumentos sujos e limpos. Além disso, foram detectados descontrole na administração de antibióticos e falta de água corrente e sabão em áreas em que a limpeza das mãos é muito necessária, como as UTIs."Hoje temos tecnologia avançada e, no entanto, há erros primários no controle das infecções", afirmou o procurador-geral de Justiça do Estado, Fernando Grella Vieira. "Os dados são absolutamente alarmantes. Foram encontrados hospitais sem comissão ou em que elas existem só no papel", afirmou o promotor Reynaldo Mapelli Júnior, idealizador do estudo e responsável pela área de Saúde Pública do Centro de Apoio Operacional das promotorias cíveis .Todos os relatórios das instituições problemáticas foram encaminhados aos promotores responsáveis nas localidades dos hospitais. A categoria tem autonomia para tomar as providências que considerar necessárias, como recomendações para correções, novas vistorias e até a proposição de ação civil pública. A lista de hospitais com problemas na capital paulista divulgada ontem (mais informações nesta página) mostra um predomínio de unidades privadas, entre elas o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, considerado instituição de excelência pelo ministério, seguidas de hospitais estaduais e municipais, como Heliópolis e Cachoeirinha. Procuradas, as unidades não comentaram.O Cremesp e a Promotoria não divulgaram ontem detalhes dos problemas. Os representantes do conselho enfatizaram ainda a dificuldade de se comparar instituições de diferentes perfis assistenciais, justificando assim a não divulgação de um ranking.