32,6 mi vivem sob ameaça de dengue

Lígia Formenti - O Estado de S.Paulo

Número representa 48% da população analisada em pesquisa

O índice de infestação pelo mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue, caiu no País. Levantamento feito pelo Ministério da Saúde, o Liraa, indica uma queda de 17% no número de áreas de risco de epidemia, quando comparado com o ano passado. O mesmo trabalho revela um aumento das áreas consideradas com risco reduzido de surto. Em 2006, foram classificadas em condições satisfatórias 37,7% das áreas analisadas. Agora, são 54,2%. Mesmo assim, atualmente, 32,6 milhões de pessoas vivem em municípios considerados de alerta ou de alto risco para epidemia - o que corresponde a 48% da população analisada."Os números melhoraram, mas isso não significa que podemos ficar descansados", afirmou o secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna. "É preciso redobrar esforços para reduzir os focos do mosquito", completou. Ele observa que o Liraa, sigla de Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti, traz apenas um retrato da situação no País. O estudo serve para orientar ações de prevenção à doença e está longe de indicar se o País terá ou não grandes epidemias. De janeiro a setembro deste ano, foram registrados 481.316 casos de dengue clássica, 1.071 de dengue hemorrágica e 121 óbitos. "Se medidas preventivas forem relaxadas, o número de criadouros pode novamente aumentar."Esse será o recado que Penna e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, deverão reforçar hoje, Dia Nacional contra Dengue. Ambos estarão no Rio, cidade que registrou surtos de grande proporção, para mostrar a necessidade de combater os criadouros do inseto.Nas regiões Norte e Nordeste, criadouros do mosquito estão relacionados principalmente a problemas de infra-estrutura. A maioria dos municípios analisados pelo levantamento nas duas regiões apresentou maior proporção de Aedes aegypti em caixas d?água e poços - todos artifícios usados pela população que não tem abastecimento contínuo de água. Na região Sudeste, criadouros são encontrados em depósitos das casas - vasos de planta, bromélias, lajes, ralos.Na região Sul, as causas dos criadouros são mais heterogêneas. Focos do mosquito são encontrados tanto nas casas como em depósitos de lixo. Penna observou que obras que garantam saneamento são extremamente importantes, não só para combater a dengue, mas também doenças como malária. "O PAC prevê a realização de obras para levar saneamento. Mas é preciso também que todos façam a sua parte ", observou o secretário. Como exemplo, ele citou uma análise dos telefonemas recebidos pelo Disque-Dengue: de cada 20 ligações, 12 são de pessoas que solicitam a visita de agentes para colocar areia em seus vasos de planta. O ideal, completou, seria que pessoas adotassem, quando possível, as medidas necessárias para evitar criadouros do mosquito.Fabiano Pimenta, que integra o programa de combate à epidemia da SVS, reconhece que os problemas de infra-estrutura não estarão resolvidos até o próximo período de chuvas. Nas regiões Norte e Nordeste, então, restará fazer a análise mais cuidadosa dos poços e caixas d?água, além de reforçar o uso de larvicida.Feito na última semana de outubro e na primeira de novembro, o Liraa detectou em 46% dos municípios estudados situações de alerta e de risco para o surto de dengue. Entre as cidades nessa situação, estão Porto Velho (RO), Camaçari (BA), Salvador (BA), Itabuna (BA) e Mossoró (RN). O Rio é a cidade do Sudeste que apresenta o maior índice de infestação, de 3,7% Na Região Sul, a maior infestação foi registrada na cidade de Guariá (PR), com 3,3%.O ministério está preocupado também com a ameaça da entrada no País de um novo tipo de vírus da dengue, o Den-4. Ao todo, são quatro tipos de vírus da doença e três já provocaram epidemias no Brasil. "Todas as vezes que um vírus novo chega, há surtos de grandes proporções", observa Pimenta.