3% dos procedimentos estéticos foram realizados em pacientes estrangeiros

Emilio Sant?Anna - O Estado de S.Paulo

Norte-americanos, canadenses, franceses, libaneses e latino-americanos ajudaram a aumentar o número de cirurgias plásticas realizadas no País entre setembro de 2007 e agosto de 2008. Segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), estrangeiros foram responsáveis por 3%, ou cerca de 20 mil dos 457 mil procedimentos estéticos realizados em hospitais e clínicas nacionais. Há cinco anos, esse porcentual não passava de 1%. Para o presidente da SBCP, José Yoshikazu Tariki, o aumento da procura de estrangeiros comprova o alto nível de qualidade dos cirurgiões plásticos brasileiros. "Existem pacientes que saem de lugares com a Suíça para se operarem aqui e dizem não ter coragem de fazer o mesmo procedimento em seus países."Pesquisa da Empresa de Turismo e Eventos da Cidade de São Paulo (SPTuris) revela o perfil dos estrangeiros que chegam à capital. Em 2008, 17,9% dos "turistas" vieram em busca de alguma forma de tratamento de saúde ou cirurgia. O tempo médio de permanência foi de 22 dias e o gasto médio diário ultrapassou os US$ 120. De olho nessa demanda, hospitais de ponta como Sírio-Libanês e Albert Einstein se estruturaram para receber esses pacientes. Em 2006, cerca de 400 estrangeiros passaram pelo Sírio-Libanês. Em 2008, esse número passou de 1,5 mil. Segundo Geraldo Galletta, gerente de relações internacionais do hospital, são principalmente norte-americanos, franceses, angolanos e alemães. "Em 2006, tínhamos convênio com apenas 4 operadoras de planos de saúde internacionais. Hoje são 41." As cirurgias plásticas não fazem parte da maioria dos procedimentos nos hospitais de ponta. Ainda que para um estrangeiro o preço no País seja mais acessível, é mais barato operar em clínicas menores. A SBCP chama atenção para isso. Pacientes vindos de outros países muitas vezes não conhecem a clínica onde serão operados. Um dos conselhos da sociedade para o turista que busca cirurgias é checar, além do currículo do médico, o local em que vai ser feita a operação. "Não dá para dizer que não seja seguro, mas em um hospital de alta complexidade o paciente vai ter mais condições de se recuperar", afirma Galletta.Um caso recente de estrangeiro que veio ao Brasil fazer plástica foi o de Tameka Foster, de 37 anos, mulher do rapper norte-americano Usher. Na semana passada, antes da lipoaspiração ser realizada no Hospital São Rafael, ela sofreu parada cardiorrespiratória. Tameka, que teve um filho há dois meses, ainda está internada no Sírio-Libanês. O Conselho Regional de Medicina informou que abriu sindicância para apurar se houve negligência. IMPRESSÃOJosé Yoshikazu TarikiPresidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)"Existem pacientes que saem de lugares, como a Suíça, por exemplo, para se operarem aqui (no Brasil) e dizem não ter coragem de fazer o mesmo procedimento em seus países"