Veteranos do YouTube se 'reciclam' para acompanhar evolução do público

Matheus Lara - Especial para O Estado de S. Paulo

PC Siqueira, Cauê Moura e Felipe Neto inauguraram no Brasil uma nova forma de se expressar e de se relacionar com o público

PC Siqueira, Felipe Neto e Cauê Moura inauguraram no Brasil uma nova forma de se expressar e de se relacionar com diferentes públicos

PC Siqueira, Felipe Neto e Cauê Moura inauguraram no Brasil uma nova forma de se expressar e de se relacionar com diferentes públicos Foto: Reprodução

Quando eles começaram, entre 2009 e 2010, ainda eram chamados de vloggers. O termo caiu em desuso quando fazer vídeos para o Youtube se consolidou como uma forma financeiramente possível de se viver. PC Siqueira, Cauê Moura e Felipe Neto integram a chamada '1ª geração' dessas pessoas que, no início, precisavam explicar o que diabos pretendiam alcançar falando sozinhos na frente das câmeras e dentro de um quarto.

Eles aproveitaram a internet para inaugurar no País uma nova forma de se expressar e de se relacionar com diferentes públicos. Conquistaram grandes audiências (e também anunciantes) e se tornaram referência como alternativa ao entrenimento tradicional. Além disso, foram as principais influências para jovens que hoje são verdadeiros fenômenos de visualizações, como Julio Cocielo e Whindersson Nunes.

"Em 2010, produzir para o YouTube era uma coisa bizarra para a maioria das pessoas", conta o criador do canal Desce a Letra, Cauê Moura. "A gente produzia conteúdo alternativo ao entretenimento tradicional. Hoje, o Youtube é o mainstream".

Depois de seis anos, com uma audiência renovada e mais engajada nas redes, os veteranos do YouTube brasileiro exploram novos temas e formatos. Os vídeos mais recentes de PC Siqueira em seu Mas Poxa Vida exemplificam essas mudanças. Neste ano, PC passou a produzir conteúdo também para um público que, em sua avaliação, é pouco representado na plataforma de vídeos.

"Boa parte da minha audiência amadureceu comigo e essas pesoas mais velhas não têm youtubers que os representem", avalia. "É um recomeço para mim. É como se eu estivesse criando um canal novo, falando coisas que fazem sentido para essas pessoas".

Para o carioca Felipe Neto, adaptar-se a essa nova audiência é um dos grandes desafios. "Ou você se reinventa, ou fica para trás. A variedade que existe hoje aponta tendências do que faz sucesso e do que não faz, e é natural que isso gere mudanças nos canais". O intérprete do crítico e exaltado apresentador do Não Faz Sentido também apostou em mudanças significativas recentemente, aumentando a produção de vídeos, apostando no humor e em temas da atualidade.

Para Felipe, faz parte do trabalho como youtuber identificar tendências e saber o que o público quer ver. "Não faria sentido produzir o mesmo conteúdo que eu produzia em 2010. Eu precisei me ajustar a esse mundo novo", conta, comemorando o que diz ser seu melhor momento no YouTube.

De olho nas tendências e nas inúmeras mudanças na audiência da rede social, Cauê Moura criou em 2016 o quadro Lapada, onde convida outros youtubers para entrevistas que intercalam as respostas com diferentes jogos e shots de bebidas. O quadro é apenas mais um dos tantos que Cauê introduziu no Desce a Letra desde que criou o canal.

"Quando comecei a levar o canal mais a sério, comecei a criar esses quadros. Meu maior desafio era encontrar uma forma de manter uma frequência de vídeos. E isso fidelizou as pessoas e garantiu um crescimento estável ao canal", conta.

Para a jornalista e blogueira Rosana Hermann, que assina o Querido Leitor, a 1ª geração de grandes youtubers brasileiros viveu uma "era de descobertas", onde todo o processo - desde colocar a cara na frente da lente até falar abertamente sobre qualquer assunto - era também uma troca constante de experiências e informações entre esses produtores de conteúdo.

"Nessa busca experimental, todo mundo descobriu que tinha público pra tudo e todos. E assim, os pioneiros cresceram porque eram os canais que a garotada tinha pra gostar. Muita gente acertou por acaso, sem querer querendo, enquanto outros investiam em algum caminho planejado", comenta Rosana.

A pedido do E+, Rosana Hermann comentou um pouco sobre as mudanças vistas nos canais de PC Siqueira, Cauê Moura e Felipe Neto ao longo do tempo. Confira na galeria: