‘Tinha medo de sofrer um boicote no trabalho’, diz Dani Calabresa sobre denúncia de assédio

Bárbara Correa* - O Estado de S.Paulo

A humorista falou pela primeira vez na TV sobre as acusações de assédio sexual contra Marcius Melhem

A humorista Dani Calabresa revelou que se apegou ao trabalho e amigos para superar o assédio sexual que sofreu

A humorista Dani Calabresa revelou que se apegou ao trabalho e amigos para superar o assédio sexual que sofreu Foto: Divulgação/Globo

Dani Calabresa veio a público na TV pela primeira vez falar sobre as acusações de assédio sexual contra Marcius Melhem, em entrevista ao Saia Justa, da GNT, nesta quarta-feira, 3.  Na estreia da nova temporada do programa, a humorista desabafou que precisou se apegar ao trabalho, familiares e amigos para seguir em frente, pois era isso que trazia força e motivação. 

"O que me ajudou a colar os pedaços foi o trabalho. O trabalho me salvou. Eu tenho porque acordar. Eu tenho que tomar banho. Eu tenho que lembrar quem sou. Os amigos, família, terapia, também. Mas o trabalho foi o que mais salvou”, disse a apresentadora. 

Calabresa revelou que seu amor pelo trabalho foi também o motivo pelo qual ficou calada por um tempo, adiando a denúncia contra Melhem. “Por causa do trabalho eu não reagi antes. Eu tinha tanto medo de sofrer. Tinha medo de sofrer um boicote. O assédio é um assunto tão assustador que a gente tenta fingir que é normal. Você segue como você consegue”, explicou ela. 

A humorista contou que seguiu fingindo normalidade, tentando ser legal, demonstrando uma gratidão excessiva. "Mas chega uma hora que isso começa a fazer tão mal que você tem que arrebentar a tampa desse caldeirão”.

Dani ainda fez um alerta sobre o assunto. “Nada autoriza assédio. Nenhuma brincadeira, nenhuma mensagem autoriza assédio. Naquele dia foi carinhosa, riu, bebeu, não interessa. Ninguém tem o direito de forçar o contato físico com ninguém. É preciso permissão. É muito difícil lidar com tudo isso, organizar o pensamento. Estou com meus pedaços colados, estou leve. E na terapia", finalizou. 

 

*Estagiária sob supervisão de Charlise Morais