Refrigerante: além de engordar, envelhece

Anna Paula Buchalla - O Estado de S.Paulo

Pesquisa mostra que a bebida rouba anos de vida de uma pessoa; e a culpa é do excesso de açúcar

Se nem o fato de engordar, provocar celulite e ainda servir de gatilho para doenças como o diabetes foram suficientes para te afastar do refrigerante, eis uma notícia que pode, enfim, eliminar de vez as latinhas e os litrões que habitam permanentemente a sua geladeira: refrigerante envelhece! E não é pouco. Um estudo publicado no American Journal of Public Health revela que o hábito de consumir a bebida rouba em média dois anos de vida das células do sistema imunológico.

Excesso de açúcar diminui tempo de vida, diz pesquisa

Excesso de açúcar diminui tempo de vida, diz pesquisa Foto: Divulgação

A doutora Epel e sua equipe analisaram dados de 5.300 adultos americanos, de 20 a 65 anos, sem histórico de diabetes ou doenças cardiovasculares, e descobriram que os que bebiam mais refrigerantes (e aqui não se incluem os diets e os zero açúcar) tendiam a ter telômeros mais curtos. Beber 250 mililitros por dia (menos de uma lata) corresponde a 1,9 anos de envelhecimento adicional, e beber pouco mais de meio litro de refrigerante por dia equivale a 4,6 anos de envelhecimento. Para a surpresa dos pesquisadores, é exatamente a mesma associação encontrada entre o tamanho dos telômeros e o hábito de fumar. “A dose extremamente alta de açúcar que colocamos de uma vez em nosso organismo, em questão de segundos, é tóxica ao metabolismo”, disse a pesquisadora.

Essa não é a primeira associação entre doses cavalares de açúcar e envelhecimento. Recentemente, uma pesquisa da Universidade de Leiden, na Holanda, separou mais de 500 voluntários, todos com idades semelhantes, em três grupos, de acordo com o nível de concentração de açúcar no sangue. Sessenta pessoas foram convocadas para analisar as fotografias deles e tiveram de responder quais eram os mais velhos. Pelas respostas, ficou evidente que quanto mais glicose no sangue, mais envelhecida fica uma pessoa.

O dermatologista americano Nicholas Perricone, conhecido por ser o queridinho das celebridades de Nova York, é um dos que defendem que o envelhecimento da pele seria resultado de sucessivas inflamações nas células causadas por substâncias tóxicas. O açúcar é um dos grandes vilões nesse processo. Ele produz enzimas que afetam negativamente o colágeno e a elastina, provocando rugas e flacidez da pele. “O açúcar aumenta os níveis de insulina, o que provoca um processo inflamatório em todo o organismo”, explicou ao canal Longevidade, o médico Perricone. “A pele se torna menos elástica e mais vulnerável aos danos causados do sol”, afirma.

Há pelo menos duas doces notícias a respeito de açúcar e envelhecimento. A primeira: o encurtamento dos telômeros é um processo reversível. Uma dieta alimentar rica em frutas, verduras, legumes, alguns tipos de proteína e peixes, como o salmão, rico em dimetilaminoetanol, o DMAE, evitam esse encurtamento e, sim, devolvem os anos perdidos. E a segunda boa notícia: açúcar não vicia. Segundo um estudo recém-publicado na revista científica Neuroscience and Biobehavioral Reviews, não há nada, nenhuma substância química sequer presente no doce, que seja viciante ao cérebro, o que acontece com drogas como a cocaína, por exemplo. É um mau hábito pura e simplesmente. Pense nisso antes de dizer que não vive sem uma latinha de refrigerante.