R. Kelly é processado por abuso sexual e cárcere privado em Nova York

redação - O Estado de S.Paulo

Mulher também acusa o cantor de não revelar doença sexualmente transmissível, que ela teria contraído dele

O cantor R. Kelly em apresentação em 2013.  

O cantor R. Kelly em apresentação em 2013.   Foto: Frank Micelotta/Invision/AP

Uma mulher que disse ter 19 anos quando começou um relacionamento com R. Kelly processou o cantor nesta segunda-feira, 21, em Nova York, alegando ter sofrido abuso sexual, cárcere privado e ainda ter sido contaminada intencionalmente com uma doença sexualmente transmissível. As informações foram revelados pelo jornal The New York Times.

O processo é o mais recente entre as várias acusações que o cantor, de 51 anos, enfrenta ao longo dos últimos 20 anos. Ele já foi acusado de abusar de meninas menores de idade e jovens mulheres, alegações que ele sempre nega.

O cantor enfrentou um processo criminal por má conduta sexual uma vez e foi absolvido em 2008, com alegação de pornografia infantil. O movimento #MeToo e a campanha #MuteRKelly (Silenciem R. Kelly, em tradução livre) renovaram o interesse pela carreira e vida pessoal dele.

Na acusação desta segunda-feira, Faith A. Rodgers, uma mulher da cidade do Texas, disse que conheceu o cantor em março deste ano depois de uma apresentação dele em São Antonio. Depois de alguns meses de contato por telefone, R. Kelly planejou uma viagem para ela até Nova York, em que ele "iniciou um contato sexual indesejado" em um quarto de hotel, segundo a alegação.

De acordo com o processo, o cantor não contou a Faith, hoje com 20 anos, que ele tem herpes - um ato criminal - e ela acabou contraindo a doença. O relacionamento dos dois durou cerca de um ano, tempo durante o qual ele constantemente a intimidava, praticava abuso mental, verbal e sexual, durante ou depois do contato sexual.

De acordo com a alegação, era um "comportamento para humilhá-la e intimidá-la". R. Kelly também teria feito gravações de Faith sem o consentimento dela durante o ato sexual, segundo ela, e a mantinha constantemente presa em áreas excluídas para puni-la e controlá-la.

Lydia C. Hills, advogada de Faith, disse que sua cliente é a mesma mulher que preencheu um processo criminal com o nome de Jane Doe em Dallas, no mês passado, alegando que R. Kelly transmitiu herpes para ela "intencionalmente". Na época, a polícia de Dallas disse que estava investigando o caso, mas não respondeu sobre o caso nesta segunda-feira.

Após as acusações, boicotes contra as músicas e shows do cantor se intensificaram. No começo deste mês, o Spotify anunciou que ia retirar todas as músicas de R. Kelly de suas playlists oficiais e não o recomendaria para seus usuários. Representantes do cantor, bem como da marca dele, a RCA Records, não responderam a pedidos de comentátios sobre o caso.