R. Kelly é condenado a 30 anos de prisão por crimes sexuais e tráfico humano

Julia Queiroz* - O Estado de S. Paulo

Cantor era considerado o 'rei do R&B' e ainda enfrenta acusações por produção de pornografia infantil

R. Kelly deixando um tribunal em março de 2019. Nesta quarta, 29 de junho, ele foi condenado a 30 anos de prisão por crimes sexuais e extorção.

R. Kelly deixando um tribunal em março de 2019. Nesta quarta, 29 de junho, ele foi condenado a 30 anos de prisão por crimes sexuais e extorção. Foto: REUTERS/Kamil Krzaczynski

Nesta quarta-feira, 29, R. Kelly foi condenado a 30 anos de prisão por crimes sexuais e extorsão. Ele estava sob custódia desde julho de 2019, quando foi acusado de coagir menores a praticarem atos sexuais. 

Em setembro de 2021, ele foi declarado culpado por violar oito normas da Lei Mann, que proíbe o tráfico humano nos Estados Unidos. A sentença final foi dada pela juíza Ann Donnelly nesta quarta na Corte Federal do Brooklyn, em Nova York.

Robert Sylvester Kelly, nome real do cantor, era considerado o "rei do R&B" e fez muito sucesso nos anos 1900 e 2000, em especial com a música I Believe I Can Fly. Durante a audiência, Donnelly afirmou que o músico usava o dinheiro e a fama para manter uma organização de tráfico sexual. 

Segundo o The New York Times, vítimas dos crimes do cantor estiveram presentes no tribunal e relataram como sofreram abusos físicos e emocionais. As testemunhas se somaram a nove mulheres e dois homens que já haviam deposto em setembro.

A defesa de R. Kelly argumentava que uma sentença de "menos de dez anos" seria suficiente, mas a juíza seguiu a recomendação da promotoria, que pedia por pelo menos 25 anos de prisão.

O músico ainda vai enfrentar outro julgamento, marcado para acontecer em 15 de agosto na cidade de Chicago. Ele responde a outras acusações por coerção de menores e por produzir pornografia infantil.

Em 2008, ele já havia sido acusado do crime e enfrentado um tribunal no estado de Illinois. Agora, os promotores alegam que R. Kelly e dois de seus funcionários agiram ativamente para manipular o caso, subornando testemunhas e vítimas.

 

*Estagiária sob supervisão de Charlise Morais