Poluição pode provocar o envelhecimento precoce do cérebro

Anna Paula Buchalla - O Estado de S.Paulo

Segundo pesquisadores de Harvard, a mudança no volume cerebral equivale a cerca de um ano a menos de vida útil do cérebro

Foto: Steven Lee / Creative Commons

A ciência já provou que a poluição é causa de doenças respiratórias como rinites, bronquites, alergias e enfisemas, provoca de distúrbios cardiovasculares a câncer, e está entre os 10 fatores que mais matam no mundo. Recentemente, descobriu-se que ela também envelhece a pele, de forma tão ou mais potente do que os raios solares. Agora, mais um item foi acrescentado à lista de efeitos negativos do ar carregado de toxinas à saúde: ele pode ser a causa do envelhecimento precoce do cérebro. E envelhecimento precoce significa perda de funções cognitivas, riscos de derrame e demência. A conclusão é de pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos: eles analisaram imagens cerebrais de 943 homens e mulheres com mais de 60 anos. Ao comparar aqueles que viviam em áreas poluídas com os que moravam em locais com o ar mais puro, eles concluíram que o cérebro dos primeiros tinha volume menor e que, entre eles, o risco de derrames era 46% maior. O estudo foi publicado na edição de maio do periódico científico Stroke.

Segundo a pesquisa, feita com base em exames de ressonância magnética, a exposição de longo prazo à poluição urbana provoca mudanças estruturais no cérebro, sendo a sua diminuição do órgão a pior delas. Não está claro, exatamente, como a poluição do ar pode mudar a estrutura cerebral. Os pesquisadores acreditam que as micropartículas de poluição possam provocar inflamações sucessivas que resultam nas alterações cognitivas.

 "Notamos uma associação clara entre a poluição e os ataques danosos ao cérebro", disse a principal autora do estudo, a médica Elissa H. Wilker, do Beth Israel Deaconess Medical Center. "Isso nos ajuda a entender melhor os mecanismos que fazem o cérebro responder às partículas danosas ao organismo", afirmou. Imperceptíveis a olho nu, essas partículas ultrafinas de poluição estão em toda a parte dos centros urbanos e instalam-se facilmente em brônquios e pulmões. Causadas principalmente pelo trânsito - fumaças de motores e queima de combustíveis são os principais inimigos do ar - elas carregam consigo uma diversidade de metais pesados tóxicos, poluentes orgânicos e outras químicas pesadas, além de microorganismos, como bactérias e vírus. Sim, é exatamente esse o ar que respiramos nas grandes cidades brasileiras.