Oito vezes que Kim Kardashian se envolveu com o sistema prisional dos EUA

Caio Nascimento* - O Estado de S.Paulo

Empresária já conseguiu a clemência de condenados à prisão perpétua e conversou com Donald Trump sobre as penitenciárias do país

Kim Kardashian durante uma atividade do projeto de educação em presídios da Universidade de Georgetown, em Washington D.C.

Kim Kardashian durante uma atividade do projeto de educação em presídios da Universidade de Georgetown, em Washington D.C. Foto: Twitter / @KimKardashian

Multimilionária, influente e casada com Kanye West, o primeiro rapper bilionário do mundo. Quem olha para Kim Kardashian pode achar que a vida dela se limita ao mundo das personalidades e dos negócios. No entanto, a mulher, de 38 anos, tem um lado social marcado pelo ativismo e o estudo. 

Seguindo a carreira do pai, Robert Kardashian, a mulher faz faculdade de Direito e pretende prestar o exame da Ordem dos Advogados dos Estados Unidos em 2022 para, enfim, exercer a profissão na área penal.

A escolha pela criminologia não veio à toa. Kim tem um trabalho social nas penitenciárias americanas e, com a ajuda de seu time de advogados, contribui na redução das penas de quem cometeu crimes sem riscos à vida. Ou seja, ela auxilia na execução penal dos condenados, procurando meios justos de reintegrá-los na sociedade sem, necessariamente, estarem por trás das grades.

A iniciativa da empresária acompanha a reforma prisional americana, aprovada no fim do ano passado, que abranda as duras punições do país - que se iniciaram após o aumento do tráfico de drogas nos anos 1980. A medida visa desinchar as cadeias em todo o território, pois, para alguns juristas, existem condenações ‘exageradas’, como algumas penas de prisão perpétua por porte ilegal de narcóticos. 

A ação de Kim Kardashian não é novidade para quem atua na área. No Brasil, ações parecidas ocorrem por meio dos Conselhos da Comunidade de Execução Penal (CCEP), previstos na lei nº 7.210, de 1984, e organizações sem fins lucrativos, como a Pastoral Carcerária, da igreja Católica, e a Associação de Amigos e Familiares de Presos, conhecida como Amparar. 

Antes de ir para as ações de Kim nos Estados Unidos, assista abaixo a um exemplo brasileiro do CCEP de Taubaté, no Vale do Paraíba, em São Paulo:

Veja abaixo as oito vezes que Kim Kardashian se envolveu com os presídios americanos:

1. Aluguel para ex-presidiário

Kim Kardashian e Matthew Charles.

Kim Kardashian e Matthew Charles. Foto: Twitter / @KimKardashian | Arquivo Pessoal

Matthew Charles já havia cumprido 20 dos 35 anos de sua sentença por posse de drogas e armas e foi a primeira pessoa a ser liberada após a reforma prisional dos EUA. Ele não conseguiu alugar uma casa por conta de seu histórico criminal, e Kim Kardashian resolveu ajudá-lo com as despesas pelos próximos cinco anos. 

2. Kim Kardashian e Donald Trump

Kim Kardashian e Donald Trump

Kim Kardashian e Donald Trump Foto: Twitter / @realDonaldTrump

O presidente dos Estados Unidos apoiou a reforma das sentenças prisionais no país e recebeu, em maio deste ano, Kim Kardashian no Salão Oval da Casa Branca para falar sobre justiça carcerária. O dirigente compartilhou o encontro no Twitter, disse que a conversa foi 'ótima' e até atendeu a um pedido da empresária. Veja no próximo slide.

3. A bisavó do cárcere

Após receber a clemência de Trump, mulher lançou livro sobre sua história de vida com prefácio de Kim Kardashian.

Após receber a clemência de Trump, mulher lançou livro sobre sua história de vida com prefácio de Kim Kardashian. Foto: Instagram / @alicemariefree

Na reunião com Trump, Kim Kardashian conseguiu o indulto de uma mulher de 63 anos, Alice Marie Johnson, que foi condenada à prisão perpétua por crimes relacionados a drogas e lavagem de dinheiro. Ela estava presa há 21 anos e recebeu a clemência do presidente. Alice se tornou uma ativista do tema, e escreveu o livro Após a Vida: Minha jornada da prisão para a liberdade. Emocionada, a ex-presa falou em público sobre Kim Kardashian assim que saiu da cadeira: "[Ela] se tornou um anjo de guerra [em minha vida], porque os anjos de guerra nunca desistem". 

4. Condenado por matar quatro vizinhos

Kim Kardashian foi visitar Kevin Cooper no presídio de San Quentin, na Califórnia, e disse que o encontro foi 'emocionante'.

Kim Kardashian foi visitar Kevin Cooper no presídio de San Quentin, na Califórnia, e disse que o encontro foi 'emocionante'. Foto: Twitter / @KimKardashian

Kim Kardashian gerou revolta ao se empenhar na redução de pena de Kevin Cooper, preso na penitenciária de San Quentin, na Califórnia, após ser condenado pelo assassinato de quatro vizinhos com golpes de machado, em 1983. O homem está na fila da pena de morte no Estado, mas nega ter cometido o crime e pediu novos testes de DNA. A requisição foi aprovada em fevereiro pelo governador da Califórnia, Gavin Newsom, e, em maio, Kim Kardashian publicou a foto ao lado do detento dizendo que acredita em sua inocência.

5. Kim Kardashian vai deixar registrado

Kim Kardashian com o professor Marc Howard, da Universidade de Georgetown, em palestra para detentos. Canal responsável por televisionar documentário divulgou a imagem.

Kim Kardashian com o professor Marc Howard, da Universidade de Georgetown, em palestra para detentos. Canal responsável por televisionar documentário divulgou a imagem. Foto: D.C. Department of Corrections / Divulgação

A empresária anunciou em julho de 2019 que lançará um documentário sobre o sistema prisional dos Estados Unidos, chamado Kim Kardashian West: O Projeto de Justiça. O filme mostrará seus esforços para garantir a liberdade para americanos que ela acredita terem sido injustiçados pelos tribunais do país. Segundo ela, a obra já foi gravada e será transmitida no canal Oxygen, especialista em produção sobre crimes. Ainda não há previsão de estreia.

 

6. Kim Kardashian e a educação em presídios

Kim Kardashian com as detentas do projeto educacional da Universidade de Georgetown.

Kim Kardashian com as detentas do projeto educacional da Universidade de Georgetown. Foto: Twitter / @KimKardashian

Kim Kardashian com todos os membros do projeto educacional da Universidade de Georgetown em presídios.

Kim Kardashian com todos os membros do projeto educacional da Universidade de Georgetown em presídios. Foto: Twitter / @KimKardashian

Um outro tema que Kim Kardashian se preocupa é com a educação dos presos nos Estados Unidos. Diversas faculdades do país oferecem aulas de ensino superior nas penitenciárias, o que levou a empresária a conhecer o projeto da Universidade de Georgetown, em Washington, D.C. Na foto, ela aparece com os detentos que participam da iniciativa.

7. Prisão perpétua por matar estuprador

Cyntoia Brown era escrava sexual de abusador e o matou a tiros.

Cyntoia Brown era escrava sexual de abusador e o matou a tiros. Foto: Tennessee Department of Corrections / Handout via Reuters

Kim Kardashian ajudou na clemência da jovem Cyntoia Brown, condenada aos 14 anos à prisão perpétua por ter matado com arma de fogo, em 2004, um homem que a mantinha como escrava sexual. A empresária e Rihanna defendem a liberação da jovem desde 2017, e, em agosto deste ano, o governador do Tennessee, Bill Haslam, decidiu soltá-la. Por ordem da Justiça, ela deve trabalhar, estudar, participar de sessões de aconselhamento e ajudar no serviço comunitário em liberdade.

8. Liberação de 17 presos 

Na primeira foto, a advogada Brittany K. Barnett (à direita) abraça a ex-presa Alice Marie Johnson. Na segunda foto, Kim Kardashian.

Na primeira foto, a advogada Brittany K. Barnett (à direita) abraça a ex-presa Alice Marie Johnson. Na segunda foto, Kim Kardashian. Foto: Instagram / @msbkb | Evan Agostini / Invision / AP

Kim Kardashian mostrou sua influência no mundo prisional em pouco tempo. De fevereiro a abril de 2019, ela ajudou na soltura de 17 detentos. Todos cumpriam prisão perpétua sem liberdade condicional por delitos de drogas. A atitude da empresária faz parte da campanha 90 Days of Freedom (‘90 dias de liberdade’, em português), lançada pela advogada de Kim, Brittany K. Barnett, e cujo objetivo é trabalhar por prisioneiros que receberam sentenças cruéis.

*Estagiário sob supervisão de Charlise Morais