'Nossa vulnerabilidade ainda é usada contra a gente', diz Cleo

Redação - O Estado de S.Paulo

Atriz afirma que, neste momento, não participaria de um reality show por não saber se seria algo bom para ela

A atriz e cantora Cleo afirma que o apoio de família, amigos e profissionais a ajuda a lidar com compulsão alimentar.

A atriz e cantora Cleo afirma que o apoio de família, amigos e profissionais a ajuda a lidar com compulsão alimentar. Foto: Caio Duran

A atriz Cleo acredita que não teria controle emocional suficiente para participar de um reality show, a exemplo do que o irmão Fiuk está fazendo no BBB 21. Em entrevista à revista Marie Claire, ela disse que as vulnerabilidades das pessoas ainda são usadas contras elas mesmas - dentro e fora da casa.

"Eu acho que, infelizmente, os nossos erros, a nossa vulnerabilidade, a nossa falta de controle emocional - que eu acho uma coisa normal para todo mundo, principalmente em uma situação daquelas, de estar confinado - ainda são usados contra a gente. Tanto lá dentro quanto publicamente", afirmou a também cantora.

"Eu não sei se eu teria esse controle todo. Então eu não sei se seria uma coisa boa para mim. Acho que eu não iria. Pelo menos não hoje", disse Cleo ao ser questionada sobre a possibilidade de participar de um reality.

Na entrevista, a atriz falou sobre como lida com a compulsão alimentar, síndrome de Hashimoto e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Fiuk também revelou durante o Big Brother Brasil que foi diagnosticado com TDAH.

"Graças a Deus eu me sinto privilegiada e grata por ter conseguido encontrar pessoas que formam uma rede de apoio na minha vida, que vai de família, a amigos, a profissionais que me ajudam a cuidar da minha compulsão, do meu TDAH, da minha bulimia. Então, para mim, não basta que seja uma rede de apoio só de profissionais. Para mim, a rede das pessoas que trabalham comigo, dos meus amigos, da minha família, isso é muito importante para mim", disse.

Cleo afirmou que ter todas as pessoas ao redor conscientes da condição dela a faz se sentir mais acolhida e amparada, uma vez que os gatilhos da compulsão têm a ver com estresse, medo e "coisas inespecíficas". Segundo ela, o problema é despertado também pela sensação de "desamparo, de se sentir sozinha para lutar contra um monstro que você nem sabe qual é".

A pandemia do novo coronavírus tornou o cenário mais intenso no começo do isolamento social e ela conta que teve muitas recaídas. Porém, novamente, o apoio das pessoas a ajudou. "As recaídas não chegaram a me agravar porque eu venho nesse processo de cuidar do meu corpo, da minha mente, do meu emocional há uns dois anos. Por isso foi uma recaída forte, mas que não atrasou o meu processo", contou.

Outro fator que também tem ajudado Cleo nesse processo é repensar a forma como ela se vê. "Já sei que tenho distorção da minha própria imagem. Tive que entender isso e aprender que eu não posso me fixar só no que estou vendo no espelho. O que é difícil, porque é uma das coisas que você está vendo sobre você mesma. Aprender a não depender disso emocional e psicologicamente também é um caminho e está me ajudando a ter mais força", disse.