'Nós somos o futuro', diz drag queen RuPaul

Ananda Portela* - O Estado de S.Paulo

Reality show que elege a próxima drag queen dos Estados Unidos será transmitido pelo canal Comedy Central

A oitava temporada do programa estreia no Brasil no canal Comedy Central

A oitava temporada do programa estreia no Brasil no canal Comedy Central Foto: Viacom

A partir do dia 15 de abril, às 23 horas, o canal Comedy Central exibirá a oitava temporada do reality show RuPaul's Drag Race - a produção já está na nona edição nos EUA. O sucesso mundial, produção do canal Logo TV, - canal de TV com conteúdo voltado ao público LGBT - procura carisma, singularidade e talento na próxima drag queen norte-americana.

No reality, RuPaul promove desafios e gincanas para 12 competidoras provarem suas habilidades em dança, canto, humor e originalidade. Tudo isso com um objetivo: ganhar a coroa, um prêmio em dinheiro (US$ 100.000) e o título da 'Próxima Superstar Drag dos EUA' - além da fama e do reconhecimento de Mama Ru, como RuPaul é conhecida entre os fãs.

" A grande revolução que eu vi nas drags foi a audiência, as pessoas realmente entenderem o que é ser drag. Ser drag é lembrar que não devemos levar a vida muito a sério, temos que nos divertir. Imaginem um mundo com todas as cores de uma caixa de giz de cera. É isso", disse ao E+, em entrevista por telefone.

 

Para a oitava temporada, a produtora traz de volta os juízes Carson Kressley (dos seriados Queer Eye e How To Look Good Naked), Ross Mathews (dos programas The Tonight Show e Chelsea Lately) e Michelle Visage (The RuPaul Show e Celebrity Big Brother), que serão acompanhados por personalidades para ajudá-los a decidir quem vai continuar no programa, quem vai enfrentar o duelo de lip sync (dublagem) e quem terá de se despedir da passarela. Entre os jurados estão os estilistas Marc Jobs e Nicole Richie, as modelos Gigi Hadid e Chanel Iman, e a atriz Vivica A. Fox.

RuPaul durante gravação da oitava temporada de RuPaul's Drag Race

RuPaul durante gravação da oitava temporada de RuPaul's Drag Race Foto: Viacom

 

Confira a entrevista de RuPaul Andre Charles para o E+:

É inegável a importância que você tem para comunidade LGBT, e isso não é diferente no Brasil. Você recebe muito apoio dos fãs brasileiros?

Eu recebo muitas mensagens do Brasil no meu Twitter, os fãs demonstram muito carinho e me contam histórias o tempo todo (risos).

De que forma você descreveria a importância do programa para a arte drag?

Vivemos numa experiência global rodeada de mídias sociais, os assuntos tomam proporção mundial muito rápido. Isso é animador. Pessoas que moram em cidades pequenas e em lugares remotos conseguem assistir ao programa. Elas conseguem se conectar com outros indivíduos e criar uma tribo nova.

Você pensa em vir para o Brasil com drags americanas e encontrar as drags brasileiras?

Eu gostaria muito de ir para o Brasil em uma turnê, mas fica muito difícil por causa da minha rotina na televisão.

No final de março, você anunciou que o programa foi renovado para a décima temporada. Você está planejando produzir mais temporadas?

Claro. O programa está mais popular do que nunca, então quero produzir mais. Eu amo pessoas criativas.

A participação de Lady Gaga no programa causou um rebuliço aqui no Brasil. Os fãs amaram. Você pensa em chamar outras divas?

Nós sempre convidamos as divas para participar do programa, mas normalmente não acontece por conta da agenda delas. A Gaga me escreveu anos atrás dizendo que queria estar conosco, mas não tinha dado certo até agora por causa da programação dela.

Como você imagina o futuro da art drag? Alguma revolução nas roupas ou na maquiagem?

A grande revolução que eu vi nas drags foi a audiência, as pessoas realmente entenderem o que é ser drag. Ser drag é lembrar que não devemos levar a vida muito a sério, temos que nos divertir. Imaginem um mundo com todas as cores de uma caixa de giz de cera. É isso.

De que maneira você enxerga a visibilidade gay e drag com o crescimento do posicionamento de direita nos EUA?

Eu acredito que essas forças negativas são do século 20. Eles esquecem que estamos no século 21. Nós somos um mundo global. Nós somos o futuro.

 

*Estagiária sob supervisão de Charlise Morais