‘Não tinha a menor noção do machismo estrutural que me silenciava’, diz Bárbara Borges

Redação - O Estado de S.Paulo

Atriz usou as redes sociais para falar sobre relacionamento abusivo e feminismo

A atriz Bárbara Borges.

A atriz Bárbara Borges. Foto: Instagram/@barbaraborgesoficial

Bárbara Borges usou as redes sociais para desabafar sobre o momento de reflexão pelo qual passa em sua vida, relacionamentos abusivos, machismo e feminismo

Em uma foto para homenagear o Dia Internacional da Mulher, a atriz revelou que tem tido lembranças de situações machistas vividas por ela. 

“Eu já ouvi e vivi tantos absurdos que antes passavam despercebidos. Eu não tinha a menor noção do tanto de machismo estrutural que que me abusava, tolia, silenciava e que eu, inclusive, permitia e até reproduzia. Abusos na infância, abusos psicológicos, assédio, ser diminuída, chamada de 'louca e desequilibrada'”, disse.

Bárbara contou que, recentemente, se lembrou de uma situação com um ex-namorado. “Quando eu estava empolgada falando algo, ele fechava a minha boca “carinhosamente” fazendo “shshshshsh, fica caladinha”. Sim, era exatamente essa frase que ele usava sempre fechando com os dedos a minha boca. Por mais que lá no fundo eu sentisse um desconforto com isso, eu achava engraçado, eu ria, eu acreditava mesmo que eu falava besteira sempre e me calava e até me sentia amada porque ele fazia igual o pai dele fazia com a mãe..loucura,loucura!”, refletiu.

A atriz relatou que antes não tinha a segurança que tem hoje para pedir que o então namorado parasse com o comportamento. Bárbara avaliou que passou muito tempo na vida “empurrando todo o sofrimento para ‘debaixo do tapete’ para se proteger” e que, por vezes, recorria à bebida. “Usei o artifício das “máscaras”, das bebedeiras cada vez mais exageradas e assim fui me afastando de mim. Porém, mesmo atrás de tantas máscaras, o meu “eu iluminado” que foi escondido mandava sinais de ‘acorda! Desperta!’, afirmou.

Em 2012, a atriz disse que começou a enxergar todas essas situações. “Esse processo tomou força ainda maior quando engravidei. No meu processo de despertar a vida naturalmente me aproximou de mulheres incríveis feministas e passei a ler mais sobre o feminismo e tive muita inspiração em mulheres que tanto me ensinaram, inspiraram e inspiram até hoje”, concluiu.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Feliz nosso dia oficial da mulher, da luta feminista?? Eu já ouvi e vivi tantos absurdos que antes passavam despercebidos. Eu não tinha a menor noção do tanto de machismo estrutural que que me abusava, tolia, silenciava e que eu, inclusive, permitia e até reproduzia. Abusos na infância, abusos psicológicos, assédio, ser diminuída, chamada de “louca e desequilibrada”... Recentemente caiu a ficha de uma situação vivida no passado: uma “brincadeira” que um namorado fazia comigo quando eu tava empolgada falando algo e ele fechava a minha boca “carinhosamente” fazendo “shshshshsh, fica caladinha”. Sim, era exatamente essa frase que ele usava sempre fechando com os dedos a minha boca. Por mais que lááá no fundo eu sentisse um desconforto com isso, eu achava engraçado, eu ria, eu acreditava mesmo que eu falava besteira sempre e me calava e até me sentia amada porque ele fazia igual o pai dele fazia com a mãe..loucura,loucura!! Infelizmente antes eu não tinha a consciência que tenho hoje, não era tão segura de mim pra falar: “para! não gostei, não quero, não permito que me cale”, por mais boba e insignificante que a situação fosse e isso serve pra diversas situações abusivas mais pesadas que eu sempre me culpei. Eu vivi muito tempo da minha vida empurrando tudo que me fazia sofrer pra “debaixo do tapete” e, pra me proteger e sobreviver, usei o artifício das “máscaras”, das bebedeiras cada vez mais exageradas e assim fui me afastando de mim. Porém, mesmo atrás de tantas máscaras, o meu “eu iluminado” que foi escondido mandava sinais de “acorda! desperta!!!!” Em 2012 comecei a dar os primeiros pequenos passos desse despertar. Esse processo tomou força ainda maior quando engravidei em 2013. No meu processo de despertar a vida naturalmente me aproximou de mulheres incríveis feministas e passei a ler mais sobre o feminismo e tive muita inspiração em mulheres que tanto me ensinaram, inspiraram e inspiram até hoje. (Continuação nos comentários????)

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