Mãe de Bibi Perigosa na vida real se emociona com cenas da novela

redação - O Estado de S.Paulo

Ao ver a trama, Fátima Escobar relembra quando tentava proteger os netos e diz que a polícia já apontou um revólver para a cabeça dela

Aurora (Elizângela) e Bibi (Juliana Paes ) em 'A Força do Querer'.

Aurora (Elizângela) e Bibi (Juliana Paes ) em 'A Força do Querer'. Foto: Estevam Avellar/Globo/Divulgação

A personagem Aurora, de A Força do Querer, vive um tormento ao tentar aconselhar a filha Bibi e proteger o neto Dedé do mundo do tráfico. Esse sentimento é praticamente revivido por Fátima Escobar, mãe de Fabiana, a Bibi Perigosa da vida real.

Em entrevista ao UOL, a professora aposentada de 66 anos diz que se emociona com as cenas em que a personagem tentar proteger o neto. "A minha ansiedade era muito grande de proteger as crianças. Quando não estava com eles, ficava no telefone. Eu queria estar sempre por perto, achava que comigo eles estariam mais protegidos", disse.

Fátima relembra que, certa vez, o menino se assustou com a movimentação policial e de seguranças do tráfico na Rocinha, no Rio de Janeiro, e chegou a subir no guarda-roupa.

Na época, trabalhando como diretora de uma escola municipal, ela fazia de tudo para ficar perto dos netos e até se ofereceu para sustentar a família para que o genro, Saulo da Rocinha, largasse o tráfico.

Mesmo com a tristeza e o medo, Fátima diz que não pensou em virar as costas para a filha. "Queria sempre conversar. Eu pedia muito para as pessoas próximas, amigos, conversarem com ela para tentar descobrir o que estava acontecendo. Eu achava que era um problema psicológico, ela estava muito nervosa", conta.

Fátima lembra que andava apavorada pelas ruas, porque a polícia estava sempre perto para tentar descobrir pistas da localização de Saulo. "A polícia já colocou revólver na minha cara. Cada vez que os policiais iam para a porta da escola, eu ficava em pânico", relata.

A professora aposentada manteve contato com Saulo até 2010, quando ele enviou uma carta dizendo que não queria saber de mais nada. Ela o considerava um homem tranquilo, "bonzinho, bom pai e muito amoroso". Até hoje, ela guarda um bilhete que Saulo escreveu para ela dizendo que Fátima "não é apenas uma sogra, é também uma mãe".