Lorde usa manifesto em seu vestido para apoiar o movimento Time’s Up

Redação - O Estado de S.Paulo

A organização do Grammy Awards foi criticada por não ter incluído uma apresentação da cantora na premiação

A cantora neozelandesa Lorde usou um manifesto em seu vestido no Grammy Awards como forma de protestar os abusos na indústria do entretenimento

A cantora neozelandesa Lorde usou um manifesto em seu vestido no Grammy Awards como forma de protestar os abusos na indústria do entretenimento Foto: Andrew Kelly/Reuters

Durante o Grammy Awards, principal premiação da música norte-americana que aconteceu no último domingo, 28, a maioria das mulheres convidadas usaram uma rosa branca em seus vestidos como forma de apoio ao movimento Time’s Up, que luta pelo fim dos assédios e abusos sexuais que permeiam a indústria do entretenimento.

Em vez de usar uma rosa branca, a cantora neozelandesa Lorde encontrou uma outra forma de aderir ao protesto: costurou um manifesto feito pela poeta Jenny Holzer no final da década de 1970 nas costas de seu vestido. “Minha versão da rosa branca — o apocalipse vai florescer — um trecho da minha favorita, Jenny Holzer”, escreveu a cantora no Instagram mostrando o detalhe.

O manifesto faz parte de uma série que Holzer fez, em forma de panfletos, e colocou pela cidade de Nova York entre 1979 e 1982. Com alto teor político, os manifestos foram escritos de maneira deliberadamente agressiva e fazem críticas ao status quo da sociedade norte-americana. No manifesto que Lorde usou, chamado de Untitled (Rejoice!), Holzer faz uma crítica à apatia e que somente uma ação efetiva irá mudar uma situação ruim.  

 

My version of a white rose — THE APOCALYPSE WILL BLOSSOM — an excerpt from the greatest of all time, jenny holzer

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Controvérsia. O fato de a cantora ser a única mulher indicada ao prêmio de álbum do ano e, ao mesmo tempo, a única a não se apresentar na premiação, causou polêmica nas redes sociais exatamente por conta dos clamores por mais representatividade feminina na indústria do entretenimento norte-americana.

“Ela teve um grande álbum, ser indicada ao prêmio é uma honra enorme, mas não há como encaixar todo mundo na premiação”, disse Ken Ehrlich, produtor dos Grammys, ao site The Hollywood Reporter. “De vez em quando pessoas que não deveriam ficam de fora, mas em todo caso, fizemos o melhor que pudemos para fazer uma premiação balanceada e com boa representatividade”, continuou.

Sonja Yelich, mãe de Lorde, postou uma foto no Twitter de um artigo do jornal The New York Times que dissertava sobre a falta de representatividade nos últimos Grammys. “Isso diz tudo”, escreveu Sonja no Twitter, dando a entender que era uma crítica pela sua filha não ter sido escalada para uma apresentação na premiação.

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