Em artigo na 'Time', Shakira critica política protecionista de Donald Trump

- O Estado de S. Paulo

'Não é uma questão dos EUA, é uma questão humanitária com implicações para todos', disse Shakira, ao falar sobre fechamento de fronteiras para muçulmanos

Shakira é embaixadora da Boa Vontade da Unicef desde 2003.

Shakira é embaixadora da Boa Vontade da Unicef desde 2003. Foto: Reuters

Shakira teceu fortes críticas à política protecionista do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em artigo publicado na semana passada na revista Time. No texto, a cantora, que é embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), afirmou que as ações do governo norte-americano não são medidas que dizem respeito apenas ao país, mas "uma questão humanitária com implicações para todos". 

Ao longo do texto, Shakira defende que Trump persegue comunidades por questões religiosas e raciais e afirma que a política do novo presidente dos Estados Unidos "não é apenas um ataque a muçulmanos ou refugiados - é um ataque a todos os humanos e, em particular, àqueles que mais precisam de proteção". A referência é às 28 milhões de crianças, segundo levantamento da Unicef, que estão sem abrigo e que agora têm menos chances de conseguirem refúgio no país governado pelo republicano.

"Temos que ser vigilantes ao permitirmos que preconceito e ódio se enraizem em nossa cultura ou que sejam racionalizados sob a desculpa de 'proteger nosso povo'", escreveu Shakira. "Se permitirmos a perseguição contra muçulmanos, podemos ter certeza de que logo mais outros grupos minoritários não ficarão longe". 

A embaixadora da Unicef, que usa a hashtag "resist" no texto, ressalta que muçulmanos não devem ser tratados como ameaça. "Qualquer pessoa que vá aos Estados Unidos e escolha levantar a bandeira e manter os princípios dela é 'nosso povo'". 

Ao fim, Shakira conclama a população a demonstrar insatisfação com o governo Trump para dar suporte às minorias. "Vamos seguir usando nossas vozes para dar apoio aos outros e falar por aqueles cujas vozes foram silenciadas".