Drik Barbosa lança ‘Cabeça Erguida’ e conclui projeto ‘NÓS’: ‘Um caminho de cura’

Bárbara Correa - Especial para o Estadão

‘Tudo que cantei são conselhos pra mim mesma’, diz cantora sobre EP que conta com parcerias como Péricles, Psirico e mais

Lourena, Drik Barbosa e Cynthia Luz em lançamento da canção 'Cabeça Erguida'.

Lourena, Drik Barbosa e Cynthia Luz em lançamento da canção 'Cabeça Erguida'. Foto: Lana Pinho

Em novembro de 2020, Drik Barbosa iniciava o projeto NÓS com o lançamento da música Sobre Nós. A parceria com Rashid foi a primeira das quatro canções do novo EP da artista, que conclui a sequência com a faixa Cabeça Erguida, que chega às plataformas digitais nesta quinta-feira, 23, com clipe. 

A canção conta com a presença das rappers Cynthia Luz e Lourena e, neste fim de semana, Drik fará o show de lançamento no Sesc Vila Mariana (veja ingressos aqui). Em entrevista ao Estadão, ela explicou que o seu intuito foi de que o projeto tivesse um fechamento que falasse diretamente sobre esperança. 

“A escolha de ser um reggae é porque, pelo menos pra mim, passa essa energia positiva de luta. O reggae traz essa temática de protesto, falar de amor é uma forma de protesto e o reggae nacional canta sobre a nossa realidade de pessoas afro brasileiras e periféricas”, afirma. 

 

 

O Projeto

Drik Barbosa em foto para o projeto NÓS.

Drik Barbosa em foto para o projeto NÓS. Foto: Bruno Gomes

De fato, todo trabalho gira em torno do protesto e da reivindicação do afeto como forma de resistência. Em 2020, a cantora já havia explicado que, com as incertezas do início da pandemia, “estava revoltada, mas precisava me curar. Me fortificar por um caminho menos violento para mim mesma (...) Quando eu canto sobre felicidade é resistência, quando eu canto sobre amor é resistência, porque é o que foi arrancado dos negros. Então é pegar isso de volta pra gente, inclusive o afeto”.

Além de Cabeça Erguida, o EP conta com as músicas Sobre Nós (em parceria com Rashid), Seu Abraço (ao lado de Psirico e RDD) e Calma, respira (com Péricles). Após mais de um ano do início do projeto, Drik avalia que NÓS realmente foi um processo de cura e comenta os principais desafios dessa caminhada.

“Tá sendo pra mim um caminho de cura, tudo que cantei são conselhos pra mim mesma. Então, eu pensei que mais pessoas poderiam precisar disso. Eu não queria que a mensagem da minha música, de forma alguma, fosse agressiva. Calma, Respira se encaixou em um momento muito doido, porque peguei covid na semana do lançamento e, ouvindo essa música, parecia que eu estava cantando pra mim”, lembra.

A artista explica que tudo foi moldado naturalmente. Enquanto a parceria com Rashid foi uma apresentação do que seria o NÓS, Seu Abraço retrata o afeto sob a perspectiva de uma relação. “Isso é muito importante para nós, pessoas pretas, trazer o amor como forma de pertencer”. 

“Logo depois, veio Calma, Respira e todas têm uma ligação. O pagode sempre esteve na minha vida e o Péricles sempre foi uma referência. Decidi finalizar com as meninas [com a música Cabeça Erguida] mas cada produção teve o seu momento e o seu ritmo, tudo foi sendo moldado”, detalha. 

A rapper conclui que o propósito de toda essa trajetória é gerar reflexão. “Quero que seja um despertar, que fiquem curiosos sobre o que estou falando. O que é afeto? O que é humanidade? Quais são meus direitos? Sei que a música tem um poder forte de despertar reflexões”, conta.

 

Como será o show?

Lancei tudo na quarentena, então não teve o olho no olho, vai ser muito especial. É um show de lançamento e de conclusão, então é uma celebração muito grande pra mim. Vai ter a Tássia Reis, Lourena e Rashid e vamos trazer o projeto dentro de um setlist que passa por tudo que venho lançando. Desde o EP Espelho e o álbum Drik Barbosa

 

Como você avalia esse novo trabalho em comparação com seu último álbum? 

A gente vai amadurecendo. Desde quando lancei oálbum Drik Barbosa até agora, eu mantive minha essência mas fui me fortalecendo. Completei 30 anos este ano e isso pra mim foi muito simbólico, porque eu comecei a rimar desde os 15 anos. Acompanhar minha evolução através de músicas é uma ferramenta de autoconhecimento. O álbum também foi uma certeza de quem eu sou como artista e o projeto NÓS veio como esse amadurecimento.