Angelina Jolie entra em rede social e posta carta de menina afegã: ‘Vim dar voz aos que lutam'

Luisa Paiva - Especial para o Estadão

A atriz criou um perfil no Instagram, reunindo mais 1,7 milhões de seguidores em apenas uma hora

A atriz Angelina Jolie, ativista dos direitos humanos, levou sua luta para as redes sociais. 

A atriz Angelina Jolie, ativista dos direitos humanos, levou sua luta para as redes sociais.  Foto: AP Photo/ Geert Vanden Wijngaert

Nesta sexta-feira, 20, Angelina Jolie criou sua primeira conta oficial nas redes sociais. A estrela de Hollywood e ativista dos direitos humanos entrou para o Instagram e seu primeiro post foi uma carta de uma menina afegã, representando as mulheres que estão sofrendo com as consequências da retomada do grupo extremista Taleban no Afeganistão.

Com uma enorme visibilidade, ao adicionar o perfil, Jolie reuniu mais de 1,7 milhões de seguidores em apenas uma hora. O recorde era da atriz de Friends Jennifer Aniston, que alcançou 1 milhão em pouco mais de 5 horas. Um dia depois, Angelina tem 5,5 milhões de seguidores.

A ex-Embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas (2001 a 2012) fez um único post, onde colocou três imagens: a chamada para a carta da garota afegã, a foto da carta (excluindo os nomes), e uma foto de sete mulheres de burca e de costas. 

Na legenda, ela escreveu qual seu objetivo na rede social: “Esta é a carta que recebi de uma adolescente no Afeganistão. Neste momento, o povo do Afeganistão está perdendo a sua capacidade de se comunicar nas redes sociais e expressar-se livremente. Então, vim ao Instagram para partilhar as suas histórias e dar voz a todos aqueles ao redor do mundo que lutam pelos seus direitos humanos mais básicos”.

A estrela contou o que viu quando esteve no país. “Estive na fronteira do Afeganistão duas semanas antes do 11 de setembro, onde conheci refugiados afegãos que tinham fugido do Talibã. Isso foi há 20 anos”, escreveu. “É nauseante assistir afegãos se deslocarem mais uma vez por causa do medo e das incertezas que tomaram o seu país”.

Indiretamente, Angelina se refere à ocupação norte-americana na região como um fracasso. “Gastar tanto tempo e dinheiro, ter tanto derramamento de sangue, vidas perdidas para chegar a isto, é uma falha quase impossível de entender”. 

Ela estende sua crítica à comunidade internacional, que não acolhe os refugiados. “Assistir por décadas como refugiados afegãos – algumas das pessoas mais capazes do mundo –, são tratados como um fardo, é também nauseante. Sabendo que, se eles tivessem as ferramentas e o respeito, tanto poderiam fazer por eles mesmos. E conhecer tantas mulheres e meninas que não só queriam educação, mas lutaram por ela”, lamenta.

Angelina concluiu mandando um recado aos seus milhões de seguidores: “Como tantos outros que estão comprometidos, não vou virar para o outro lado. Vou continuar a procurar formas de ajudar. E espero que se juntem a mim.”