'Amigo não se compra': No Dia dos Animais, adote um companheiro

Marina Dayrell - Especial para O Estado de S. Paulo

Luisa Mell e Vanessa Mesquita dão dicas para quem quer ajudar na causa animal

Luisa Mell e Vanessa Mesquita defendem a adoção de animais

Luisa Mell e Vanessa Mesquita defendem a adoção de animais Foto: instagram.com/luisamell e instagram.com/vanmesquita

No dia 4 de outubro se comemora o Dia dos Animais em vários países. A data também é celebrada como o Dia de São Francisco de Assis - padroeiro dos animais. Com a notícia do resgate de 135 cachorros que sofriam maus-tratos na zona oeste de São Paulo na última sexta-feira, 29, as redes sociais trouxeram um debate importante: a adoção.

Uma das defensoras da ideia é a ativista dos direitos dos animais, Luisa Mell. Ela, que foi responsável pelo resgate dos cachorros na sexta-feira, levanta a bandeira de que "amigo não se compra e vida não tem preço, tem valor". Para Luisa, comprar um bichinho quando o Brasil tem mais de 30 mil animais abandonados nas ruas é uma questão ética. "Quando o cachorro ou o gato são tratados como mercadoria acontecem barbaridades e ter um bicho passa a ser um conceito estético", diz.

Cães de raça, como o Lulu da Pomerânia e o Pug, que ficaram famosos nas redes sociais, apresentam uma série de problemas genéticos. "O ser humano acha bonito que os focinhos desses cachorros sejam curtos, mas eles têm problemas respiratórios por causa disso e sofrem a vida inteira. Então, eu me pergunto: que conceito de amor é esse?". Luisa acredita que a maioria das pessoas que compram animais de raça não saiba das profundidades dessas questões.

 

Cachorro é tudo igual. Vanessa Mesquita, campeã da 14ª edição do Big Brother Brasil, também é apaixonada pela causa animal e tem em casa 13 cachorros, 7 gatos e um porco. Com o dinheiro que ganhou no programa, ela criou o Instituto de Apoio e Defesa Animal Vanessa Mesquita, que resgata animais abandonados e oferece castração para famílias que não tenham condições financeiras.

A ex-BBB também é uma crítica do comércio animal. "É uma indústria e eu sei que não vai acabar de uma hora para outra, mas eu sempre vou conscientizar as pessoas para elas adotarem. Enquanto você compra um bichinho, outros dez moram na rua. É tudo cachorro!", diz.

 

Por que adotar? Além de transformar a vida dos animais, a adoção também faz bem para quem adota. "O instituto recebeu uma cachorrinha praticamente morta, além de cega de um olho. Os cachorros deficientes são os mais rejeitados, mas apareceu uma menina autista que se apaixonou por ela e virou sua adotante. Um tempo depois encontrei com o pai dela e ele veio me agradecer porque o animalzinho mudou a vida da filha", conta Luisa Mell.

Luisa e Vanessa, junto com outras milhares de organizações de proteção animal espalhadas pelo Brasil, fazem o trabalho de resgatar e cuidar dos bichinhos. Mas o que eles mais precisam é de um lar. "O canil não é lugar para cachorro. É uma passagem até ele se recuperar. O final feliz é só quando eles têm um dono e recebem amor", alerta Luisa.

 

Quer adotar? Elas te dão as dicas

1.   Planeje a sua vida: "Animal não é brinquedo e não vai embora, então você precisa planejar como vai estar a sua vida. A gente ouve cada barbaridade, como gente que quer devolver o cachorro porque começou a namorar e o namorado não gosta" - Luisa Mell.

2.   Não julgue pela aparência ou pela idade: "Os cachorros pretos, velhos e grandes são os que mais sofrem preconceitos. As pessoas precisam entender também que filhote é o tipo mais difícil de criar. A gente não sabe o tamanho que ele vai ficar ou o temperamento. E o cachorros mais velhos são os mais gratos. Eles sabem o que sofreram e o que você está fazendo por eles, então são fáceis de se apegar". - Luisa Mell

3.   Se prepare financeiramente: "Eu costumo dizer que quem quer, dá um jeitinho, mas é preciso saber que você vai ter gastos. Um dia o seu animal pode ficar doente e você vai precisar de uma reserva financeira para correr com ele para o veterinário". - Vanessa Mesquita

 

Não pode adotar e quer ajudar?

1.   Ofereça lar temporário: "Às vezes, você não pode ter um animal, mas pode cuidar dele por três dias. As ONGs estão lotadas, então isso alivia muito o trabalho do protetor animal". - Vanessa Mesquita

2.   Doe: "Você pode doar ração para os abrigos, ajudar financeiramente ou com o seu trabalho voluntário. Tem jeito até para quem não quer sair de casa. Dá pra ajudar compartilhando os pedidos de adoção e até fazer a manutenção das redes sociais das ONGs." - Vanessa Mesquita

3.   Denuncie: "As pessoas denunciam os casos de maus-tratos para que a gente consiga ir atrás. Se tiver vídeo e imagem, melhor ainda". - Luisa Mell.

 

Como denunciar: Para denunciar maus-tratos aos animais, você pode ligar para o 190 (Polícia Militar), para o Disque-Denúncia, 181 ou para a Polícia Ambiental, 0800-132060.

Em São Paulo, você pode denunciar diretamente na Divisão de investigações sobre Infrações de Maus Tratos a Animais e demais Infrações contra o Meio Ambiente:

Endereço: Av. São João, 1247 - 7º andar - Centro, das 9h às 19h. Telefone: (11) 3224-8208, (11) 3224-8480 e (11) 3331-8969 - http://www.ssp.sp.gov.br/depa 

 

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