Vaticano dá máquina fotográfica da Santa Sé a morador de rua

Agência Ansa - ANSA

Câmera utilizada para registrar as atividades dos papas agora será usada para cobrir eventos de uma ONG

A imprensa do Vaticano doou uma câmera utilizada na cobertura das atividades do Papa para um ex-morador de rua

A imprensa do Vaticano doou uma câmera utilizada na cobertura das atividades do Papa para um ex-morador de rua Foto: Pixabay/Walkerssk

Das fotos de Bento XVI e Francisco às imagens do cotidiano das ruas: esse é o novo destino de uma Nikon usada pelos fotógrafos oficiais da Santa Sé.

A divisão de produção fotográfica do Vatican Media decidiu doar uma antiga câmera a Daniele Ciarlantini, um ex-morador de rua que vai poder documentar em Roma as atividades da Ronda della Solidarietà (Ronda da Solidariedade, em tradução livre), uma associação de voluntários que dão assistência a pessoas sem-teto, contribuindo com comida e roupa, mas também com carinho e afeto. Junto com a câmera, foram doados uma lente objetiva, o cartão de memória e o carregador. 

As duas primeiras câmeras, de bolso e automáticas, foram dadas a Ciarlantini por essa associação, que lhe colocou em um projeto e pediu para fotografar Roma durante o seu cotidiano pelas ruas, à procura de comida quente, de algo para beber, de um lugar para fugir da chuva e do frio, ou até mesmo de um amigo com quem possa conversar. Segundo o site Vatican News, hoje Ciarlantini mora novamente em uma casa, depois de ter vivido na rua por ter perdido o emprego, e as suas melhores fotos foram protagonistas da mostra Autobiografia de Rua, em 2016.  

"A fotografia me realiza", disse Ciarlantini. Segundo ele, a máquina fotográfica já faz parte dele e do seu estilo de vida. Começou a fotografar de brincadeira, e assim nasceu uma paixão.  "A minha [paixão] é a fotografia de rua, para contar o que eu vivo. Antes, eu era uma pessoa sem objetivo, e agora meu objetivo são as fotografias que faço vivendo na rua, contanto o que realmente é viver na rua", contou. 

"Em Roma, achar comida não é tão difícil", disse Marzia Giglioli, presidente da associação Ronda della Solidarietà. Para ela, apesar de a situação ser grave, há muita solidariedade, e o que falta é a proximidade com essas pessoas, valorizar a sua existência. "Virar para o outro lado é culpa nossa. Aqueles que vivem nas ruas precisam se tornar reais, porque são invisíveis", declarou.