Uma vida solitária?

Barton Goldsmith* - Tribune News Service

Ninguém que vive sozinho aprecia este tipo de vida. Você pode demonstrar felicidade, viver bem e até ser famoso, mas sem amor nada vale a pena

Foto: Pixabay

Não escolha passar sua vida sozinho. É muito duro e a verdadeira alegria é ver aqueles que você ama crescerem, brincarem, fingirem, brigarem e fazer as pazes. Não consigo verbalizar a dor e a solidão de não ter família. Digo apenas que ninguém que conheço que vive sozinho aprecia este tipo de vida. Você pode demonstrar felicidade, viver bem e até ser famoso, mas sem amor nada vale a pena.

A família não significa necessariamente parentes biológicos. Fui adotado de modo que foi por acaso que encontrei meus parentes de sangue. Como não crescemos juntos, somos amigos no Facebook e não nos envolvemos na vida de cada um. Para mim não é suficiente. Dito isto, tenho alguns amigos muito queridos que farão parte da minha vida até meu último suspiro.

Estas relações são minha família e até mais. Ajudo meus amigos quando precisam de mim e eles fazem o mesmo por mim. Se necessitam de dinheiro eu empresto e eles sempre me devolvem, e se preciso de ajuda eles se colocam à minha disposição. Todos vivem suas próprias vidas, mas cuidamos um do outro de maneira que você não imaginaria de pessoas que não cresceram juntas nem se conheceram a vida inteira. Meus amigos são a minha família e embora possamos discordar em alguns pontos, como todo mundo, nunca fomos desagradáveis um com outro.

Empenhe-se para ter bons amigos, que estarão ao seu lado custe o que custar. Ter confiança de que sempre será ouvido e jamais será menosprezado pelo que está sentindo, pensando ou fazendo é uma maravilhosa dádiva. Pense no dinheiro que economizará em contas de terapia. Sua família de amigos está aí, foi escolha sua, e felizmente são pessoas íntegras que estarão ao seu lado sem nenhum julgamento crítico. Para algumas pessoas as amizades são muito mais próximas do que relações familiares.

Todos querem pertencer a algum lugar. Por isto crianças que vivem só em casa acabam se unindo a gangues porque sentem que pertencem a alguma coisa. Subestimamos o valor da conexão. A pressão é tão forte que pode mesmo levá-lo para um mundo perigoso. Se enveredou por este caminho e decidiu sair dele, e construir uma vida real, meus cumprimentos.

Se decidiu continuar sozinho porque entende ser mais seguro para você do que estar rodeado de pessoas que podem feri-lo, é compreensível. Para algumas pessoas, viver só é mais fácil do que se relacionar com outras pessoas, e tudo bem.

Veja o que é importante para você e se empenhe ao máximo. Vá devagar no começo. Quando você analisa mais a fundo o que necessita e deseja da vida, isto pode causar alguma tristeza. Todos têm de encontrar sua própria zona de conforto quanto se trata de amigos e família.

 

* Dr. Barton Goldsmith é psicoterapeura em Westlake Village, Califórnia

Tradução de Terezinha Martino