Transtorno do pânico, se não tratado, pode desencadear depressão

Anita Efraim - Especial para o Estado de S. Paulo

Distúrbio é caracterizados por ataques inesperados

Atividade física pode ajudar na melhora do transtorno do pânico

Atividade física pode ajudar na melhora do transtorno do pânico Foto: Pixabay

Apesar de ser popularmente conhecida como síndrome do pânico, o nome usado por profissionais da saúde é transtorno do pânico e faz parte do grupo de transtornos de ansiedade. 

O principal sintoma do distúrbio são as crises de pânico em situações inesperadas. O psiquiatra do instituto de psiquiatria do Hospital das Clínicas, Felipe Corchs, explica que se houver um motivo, como no meio de um assalto à mão armada, não caracteriza um sinal do transtorno de pânico. Outra característica é o medo que a pessoa tem de que aconteça a próxima crise. 

De acordo com a psicóloga Joana Singer, do Núcleo Paradigma, o ataque de pânico envolve "intenso medo de morrer, perder o controle ou enlouquecer". Além disso, pode haver sintomas como taquicardia, sudorese, enjoo, tontura, sensação de desfalecimento, respiração curta e outros. "Eles passam a afetar a vida de uma pessoa à medida que ela passa a viver em torno do transtorno: deixa de ir a lugares, se envolver em situação com medo de um novo ataque", explica. Em casos mais graves, as pessoas não saem de casa. 

No entanto, isso varia de acordo com a pessoa. Felipe esclarece que, enquanto há quem tenha a vida e seus relacionamentos afetados, outras sentem pouco o impacto do transtorno. 

A faixa etária mais atingida pelo pânico são adultos jovens, mas o distúrbio pode acometer pessoas de todas as idades. Em relação aos gêneros, é mais comum que mulheres tenham pânico do que homens e não há nenhuma explicação comprovada para essa diferença. 

Quem convive com alguém que tenha o transtorno deve ter alguns cuidados para lidar com situações de ataque. "Nunca se deve dizer ao paciente que está tendo um ataque algo como: 'se acalma'. O corpo não entende isso. 'Respire lentamente' costuma ajudar mais", aconselha Joana. Se estiver com alguém enquanto ela tem uma crise, faça com ela a respiração profunda, pois ela tende a estabilizar o estado físico da pessoa. Outra forma de ajudar, segundo a psicóloga, é ajudar o paciente a voltar às atividades que deixou de lado por causa do pânico. 

Por não ser chamado de doença, não se diz que o transtorno tem cura, mas que o paciente entra em estado de remição. "É uma pessoa que entrou em um quadro assintomático e não tem mais nada do transtorno", explica o psiquiatra. O paciente chega nesse estado por algumas vias, como tratamento medicamentoso, psicoterapia e, raramente, de forma espontânea - nestes casos, é comum que o transtorno volte. 

Joana afirma que, na terapia, o paciente consegue reconhecer quais são seus gatilhos dos ataques e, juntos, encontram maneiras de manejá-los. "O terapeuta deve ajudar o paciente a entender as escolhas que vem fazendo em sua vida e como elas podem contribuir para seu problema de ansiedade", diz. 

A prática de atividades físicas faz muito bem para pacientes com pânico. "Se a gente for simplificar, tudo que faz bem para a saúde, que aumenta a qualidade de vida, ajuda", diz o psiquiatra. Mas para o pânico, é um pouco diferente: o exercício simula os sintomas do transtorno, então, a pessoa se acostuma com isso e fica mais tolerante. 

Pessoas com pânico que não o tratam tendem a desenvolver depressão, apesar de não ser uma regra. A principal hipótese para explicar esse tendência é que, em qualquer transtorno de ansiedade, a pessoa passa por muito estresse e, por isso, há uma progressão para o quadro de depressão. 

"Outros diagnósticos que frequentemente andam junto com o pânico são o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), o Transtorno de Estresse Pós Traumático e o Transtorno de Ansiedade Generalizada", afirma Joana.