Responsabilidade afetiva: entenda o que é e a importância para a saúde de suas relações

Camila Tuchlinski - O Estado de S.Paulo

Psicologia explica que empatia é sentimento chave para garantir que o relacionamento interpessoal tenha respeito

Como ter mais responsabilidade afetiva? Basta não fazer com o outro o que não gostaria que fizessem com você

Como ter mais responsabilidade afetiva? Basta não fazer com o outro o que não gostaria que fizessem com você Foto: Pixabay/jurban

O divórcio ou separação anunciados por diversos casais de artistas brasileiros desde que a pandemia do novo coronavírus foi decretada, em 11 de março de 2020, chamou atenção de todos, sobretudo porque existia um senso comum de que jamais viveriam longe uns dos outros. Efeitos da felicidade e das juras de amor estampada nas redes sociais? É bem provável.

Nomes como Gusttavo Lima, Andressa Suita, Whindersson Nunes, Luisa Sonza, Marília Mendonça e Mayra Cardi chamaram atenção por terminarem seus namoros ou casamentos na quarentena. 

Junto com a polêmica que tais separações provocaram, surgiu um tema nunca antes abordado: a responsabilidade afetiva.

Nas redes sociais, não foi raro observar que as pessoas acabavam questionando uma das partes envolvidas sobre sentimento e o nível de afetividade dos casais.

No entanto, responsabilidade afetiva não é sobre reciprocidade, mas, de acordo com algumas pessoas, é questão de empatia.

Com a ajuda da terapeuta cognitiva Adriana Nunan, doutora em Psicologia Clínica pela PUC do Rio de Janeiro, elucidamos os principais questionamentos sobre o assunto e algumas peculiaridades de um relacionamento interpessoal

 

O que é responsabilidade afetiva

Responsabilidade afetiva é quando você se responsabiliza pelo sentimento e pelas expectativas que cria nos outros, independente da relação ser romântica ou não. 

“Em termos mais amplos, significa comunicar-se de maneira direta e franca, respeitando acordos e não expondo o outro a situações desagradáveis ou constrangedoras”, afirma a psicóloga  Adriana Nunan.

Perceber que a comunicação não está adequada no início e durante um relacionamento e ajustar a ‘linguagem do amor’ pode contribuir para que o namoro ou casamento seja saudável. Fazer combinados também é um bom caminho. 

 

Diferença entre responsabilidade afetiva x responsabilidade emocional

 Aparentemente, os dois termos têm diferenças semânticas, mas a percepção é a mesma, na análise da doutora em Psicologia Adriana Nunan: “O termo “responsabilidade emocional” é um equivalente e, apesar de ambos termos serem bastante utilizados atualmente, ainda não aparecem muito na literatura técnica”. 

 

Como reconhecer a falta da responsabilidade afetiva

A responsabilidade afetiva é primordial para qualquer relação, seja amorosa, de amizade, familiar, de trabalho. Ou seja, é importante em qualquer situação. Basicamente tem a ver com respeito pelo próximo e, sobretudo, com empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro.

“A falta de responsabilidade afetiva fica evidente em mentiras e traições (não apenas as sexuais, mas sim traições de toda ordem), comportamentos egoístas e abuso psicológico. Está muito relacionado com expor o outro a um sofrimento desnecessário, que poderia ter sido evitado caso o “irresponsável afetivamente” tivesse tido um mínimo de cuidado e respeito”, explica a terapeuta cognitiva. 

 

Quais situações pedem por responsabilidade afetiva

Além de ter uma conversa franca com o companheiro ou companheira, manter uma constante comunicação e cumprir combinados, as pessoas em um relacionamento interpessoal precisam ficar atentas a outras normas sociais. A psicóloga Adriana Nunan dá um exemplo: “Um comportamento que tem aparecido muito nos consultórios de psicoterapia é expor o outro em grupos de família, por exemplo, ou contar detalhes da vida íntima do casal para amigos”, conta. 

 

Dicas de como ter mais responsabilidade afetiva

Como ter mais responsabilidade afetiva? É simples: basta não fazer com o outro o que não gostaria que fizessem com você, e tentar se colocar no lugar do outro. 

“Caso não consiga fazer isso, converse, pergunte como o outro se sente. Você pode se surpreender com as respostas”, aconselha Adriana Nunan.