Psicólogo denuncia homofobia em festa de formatura

Redação - O Estado de S.Paulo

Ele diz que foi agredido depois de ter dado um selinho no namorado

Vini Beccon, de 53 anos, diz ter sido agredido em festa de formatura após dar selinho no namorado.

Vini Beccon, de 53 anos, diz ter sido agredido em festa de formatura após dar selinho no namorado. Foto: Facebook.com/vini.beccon

O psicólogo e empresário Marcus Vinicio Soares Beccon, de 53 anos, registrou uma ocorrência em uma delegacia de polícia de Porto Alegre depois de ter sido agredido em uma festa de formatura na última sexta-feira, 4.

Segundo o depoimento Vini Beccon, como é conhecido, ao jornal Zero Hora e à Rádio Gaúcha, ele e o namorado Raul Weiss, de 22 anos, foram convidados para a festa de uma aluna da Faculdade de Direito da PUCRS, colega de Weiss.

Ao chegar ao evento, realizado na Associação Leopoldina Juvenil, ambos foram "muito bem recebidos" pela formanda. A festa, segundo comentários de outros convidados, era muito cara e tinha sido promovida por uma pessoa importante na cidade.

Beccon havia encontrado uma amiga na festa e, ao voltar ao encontro de Raul, que tinha ficado no bar, o jovem o recebeu com um selinho. "Ele tinha feito isso duas ou três vezes ao longo da festa. Imediatamente após o selinho, jogaram bebida em cima [de nós]", relata.

O psicólogo diz que foi falar com o pai da formanda para pedir providências. "Foi pedido para que nos retirássemos da festa, porque, segundo ele, aquilo não era nada, disse que aquele lugar não era para nós e me chamou de vagabundo", conta Beccon.

"Eu disse que considerava aquilo grave, porque, além de homofobia, eu era convidado e aquilo não era maneira de tratar alguém. Disse que ia embora, mas ia avisar a formanda o motivo pelo qual estava sendo expulso", teria respondido o psicólogo.

Segundo Beccon, quando se virou para chamar Raul, que estava próximo, três ou quatro homens o pegaram, arrastaram por cerca de dois metros e o derrubaram no chão. Nesse momento, ele foi cercado e agredido. "Bateram com a mão aberta no rosto, seguraram pernas e braços para eu não levantar e tiraram meu celular", lembra.

O psicóloga conta que via Raul tentando socorrê-lo e dizendo "solta ele", mas era impredido e ameaçado. "Aí veio a mãe da formanda e tive a impressão que ela mandou parar. Vieram os seguranças, pensei que eles iam me auxiliar, mas nos arrastaram para fora do clube", conta.

Segundo Beccon, a formanda não falou nada sobre o ocorrido. Depois, Weiss teria recebido uma mensagem de uma amiga dizendo que ele deveria estar agradecido por ter sido convidado para uma festa de gente rica.

O celular do psicólogo foi devolvido no dia seguinte por uma amiga em comum com a formanda. Ela teria dito que Beccon havia esquecido o aparelho em uma mesa, mas ele afirma que em nenhum momento se sentou à alguma mesa da festa.

A ocorrência registrada por Beccon foi encaminhada para a 3ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre. Ele passou por exames de corpo de delito. Ele diz que ficou muito mal e não conseguiu dormir por três noites. "Decidi falar pelas pessoas que passam por isso na tentativa de fazer refletir", afirmou o psicólogo.

Ele disse à mídia local que, a princípio, houve pedidos para que o caso não fosse levado adiante, mas como não houve retratações, ele resolveu denunciar. "Outras pessoas passam por essa situação e não falam por medo", disse.

O Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul emitiu nota de repúdio ao caso. "A agressão contra o psicólogo Marcus Vinício Soares Beccon e seu companheiro Raul Silveira Weiss, na madrugada de sábado (5), expõe mais uma vez o cotidiano de perseguição e de violência a que estão submetidas as populações marginalizadas do ponto de vista da sexualidade e gênero, independentemente da sua atividade profissional e da sua condição social", diz a nota.