Planejar meu casamento fez-me reavaliar todas as relações em minha vida

Lilly O' Donnell - The Washington Post

Antes de os convites serem enviados, minha lista de convidados ajudou-me a definir minha família e eliminar da minha vida pessoas que apenas sugam energia

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No topo da página escrevi: "Mamãe. E depois os nomes das minhas amigas mais íntimas: Liz, Leah, Carly e Courtney. Em seguida, meu melhor amigo; eu já o era antes de conhecer meu noivo. Depois escrevi o nome das minhas tias e assim por diante. No final havia colocado na lista as 25 pessoas que mais amo, em ordem decrescente.

Meu marido e eu desejávamos um casamento simples, mas não sabíamos exatamente o quanto, de modo que fiz uma lista de convidados que poderia ser cortada. Tarefa que exigiu mais reflexão e exame de consciência do que esperava. Um casamento se concentra em torno de duas pessoas que se consideram a pessoa mais importante em suas vidas.

Mas quando se trata de um casamento simples, o casal tem de avaliar e classificar todas as suas relações. No caso da noiva significa escolher as amigas que considera importantes o bastante para usarem vestidos combinados para a cerimônia. E dessas poucas escolhidas, quais selecionar para serem as "de honra"?

E então, no caso das amigas que não serão convidadas para o cortejo nupcial, quem deve estar presentes na igreja e que seria simpático incluir? Espero que nenhuma das minhas amigas veja a lista de convidados porque nem posso imaginar ver a lista de alguém e o meu nome em 15º lugar, ou no 25º, sem me sentir mal. Amizade não foi assim tão política desde as listas de convidados para um aniversário na escola secundária.

Planejamos dar um pequeno jantar, apenas em família, na noite anterior ao casamento. Mas a ideia foi abandonada porque meu marido não aceitou que quatro mulheres muito ligadas à minha mãe participassem de uma festa totalmente familiar. Ele tem uma família muito tradicional - os pais, a avó que vive com eles, e duas irmãs. Eles têm uma mentalidade muito gregária e se colocam acima de todos no mundo. 

Minha mãe havia recém-concluído um tratamento contra o vício de heroína quando se separou e demorou para entender a doença mental que a acometeu. Minha adolescência foi caótica e minha mãe perdida. Nunca tive uma sensação de segurança em minha casa e nem conhecia o significado de uma família como o meu marido. 

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Mas tenho sorte em ter um grupo de amigas que me propiciaram esse sentimento de agregação familiar. Se a sua família consiste de pessoas às quais pode recorrer quando tem problemas, pessoas que não a abandonam quando você realmente se torna um peso, então Liz, Leah, Carly e Courtney são minha família.

Antes de meu marido e eu nos casarmos, ele partiu meu coração, sofri como jamais sofrera antes e minhas amigas me ajudaram a me recuperar. O final feliz foi uma vitória delas também. Portanto o nome delas são os primeiros da lista depois do da minha mãe.

Após os poucos convidados imprescindíveis, comecei a listar algumas pessoas que gostaria que estivessem presentes: uma colega de trabalho com quem me relaciono muito, uma velha amiga que reencontrei recentemente. E em seguida coloquei o nome de algumas amigas antigas que sentia obrigação de convidar, embora não fossem íntimas. Quando percebi que estavam na lista por obrigação, embora estivessem ali porque gosto delas e gostaria que comemorassem comigo, risquei o nome delas.

E então comecei a me perguntar porque essas pessoas que removi da lista fizeram parte da minha vida. Se eu não as queria em meu casamento, eram realmente amigas? Cortei relações com três pessoas depois de responder para mim mesma esta questão.

Antes de os convites serem enviados, minha lista de convidados ajudou-me a definir minha família e eliminar da minha vida pessoas que apenas sugam energia. Deixei claro não só no papel - mas no meu coração e mente - quem são as pessoas mais importantes para mim. 

Tradução de Terezinha Martino