O que é a Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas?

Agências - AFP

Quase 30% das espécies classificadas do planeta correm risco de extinção

Dragão de Komodo no Parque Nacional de Komodo, em janeiro de 2020. A espécie é considerada vulnerável e foi reclassificada pela UICN.

Dragão de Komodo no Parque Nacional de Komodo, em janeiro de 2020. A espécie é considerada vulnerável e foi reclassificada pela UICN. Foto: Lauryn Ishak/The New York Times

 

A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) tem mais de 134.000 espécies identificadas, das quais mais de 37.400 estão em perigo de extinção, e constitui um dos principais indicadores da saúde do planeta

Desde sua primeira publicação, em 1964, a Lista classifica cada espécie em estudo em nove categorias. As menos preocupantes são: "não avaliado", "dados insuficientes" e "menos preocupante". Aqui, estão três categorias de espécies ameaçadas: "vulneráveis", "em perigo" e "em perigo crítico". Finalmente, existem as espécies "extintas na natureza", ou simplesmente "extintas".

A classificação em uma das três categorias de ameaça de extinção é realizada de acordo com cinco critérios baseados em diferentes fatores associados ao risco: tamanho da população, taxa de declínio, área de distribuição geográfica, grau de população e fragmentação da distribuição.

Segundo alguns especialistas, esses critérios não são muito flexíveis, quando se trata de avaliar o status de uma espécie específica. Cada espécie, ou subespécie, é estudada separadamente. Algumas têm grupos especializados, como os grandes felinos.

Esses estudos são, então, submetidos para a releitura com outros especialistas, antes de serem transmitidos para uma Autoridade da Lista Vermelha competente para a espécie em questão.

Após serem revisados, são submetidos ao Departamento de Lista Vermelha da UICN e, uma vez aprovados, são integrados à nova atualização da lista (pelo menos duas vezes ao ano).

As avaliações por tipo de espécie (mamíferos, pássaros, plantas, corais, peixes...) também se somam a um "índice" que permite acompanhar as tendências globais de sobrevivência dessas espécies a longo prazo.

As espécies mais bem documentadas são, segundo a UICN, aquelas encontradas em ecossistemas terrestres, sobretudo, florestais. Já os peixes são relativamente pouco conhecidos.

A UICN espera identificar 160.000 espécies nos próximos anos. A lista também é alterada por regiões e nações, e até mesmo por regiões específicas dentro de um país.

 

 

Quase 30% das espécies correm risco de extinção

A UICN alertou no início deste mês, em sua Lista Vermelha, que 28% das espécies classificadas pela organização estão "ameaçadas" de extinção.

A UICN estudou 138.374 espécies, das quais 38.543 se classificam sob ameaça, informa o comunicado desta agência, divulgado durante o Congresso Mundial da Natureza, em Marselha (França).

Outro alerta foi que 37% de todas as espécies de tubarões e raias estão ameaçadas de extinção e também advertiu para o perigo que espreita o maior lagarto do mundo, o dragão de Komodo, na Indonésia.

 

37% de todas as espécies de tubarões e raias estão ameaçadas de extinção. 

37% de todas as espécies de tubarões e raias estão ameaçadas de extinção.  Foto: Abbie Trayler-Smith/Greenpeace/REUTERS

 

A sobrepesca, a degradação ambiental, o desaparecimento de seus habitats naturais, ou as mudanças climáticas estão prejudicando a sobrevivência de tubarões e raias, explicou a Lista Vermelha da UICN, que classifica e monitora a saúde da biodiversidade do planeta desde 1964.

A Lista Vermelha serve como um alerta para os governos responsáveis por essa riqueza ambiental, assim como um guia para as organizações não governamentais que a defendem.

O dragão de Komodo é um lagarto que pode medir até 3 metros e pesar 90 kg. Apenas 1.400 espécimes sobrevivem na costa da Indonésia. 

Existem mais de 440 espécies conhecidas de tubarões nos oceanos, e uma grande parte já se encontra em estado crítico. Alguns exemplares destas espécies deixaram de ser encontrados há anos.

 

 

Mais espécies, maior o perigo

A Lista Vermelha da UICN também atualizou o número de espécies de plantas e de animais pacientemente classificados por mais de meio século.

Das 138.374 espécies classificadas no planeta, 38.543 estão ameaçadas, ou seja 28%. O percentual na América Latina é semelhante.

Os cientistas da IUCN têm nove categorias para a Lista Vermelha: desde espécies seguras até aquelas que estão totalmente extintas.

Na edição deste ano do Congresso Mundial de Conservação, os conservacionistas também quiseram transmitir sinais de esperança, com a criação de uma nova Lista Verde, o outro lado da moeda, contendo as histórias de sucesso para salvaguardar a biodiversidade.

Assim como a Lista Vermelha, a Lista Verde tem nove categorias e começa com 181 espécies avaliadas.

 

 

A pressa pela Lista Verde

A UICN espera alcançar a catalogação de pelo menos 160 mil espécies, o mais rápido possível, e atualizar sua Lista pelo menos duas vezes por ano.

"Prevenir a extinção não é suficiente", frisou a coordenadora do grupo de trabalho da UICN, Molly Grace, em uma entrevista coletiva.

Os países onde se encontram as espécies mais ameaçadas sabem que esses avisos são como "cartões vermelhos" para sua política ambiental.

"Há muita preocupação de que, se uma espécie cair um degrau, os investimentos diminuam", reconheceu o responsável pela Lista Vermelha, Craig Hilton-Taylor.

É por isso que os Estados-membros da UICN agora querem que a Lista Verde seja implementada.

Da América Latina apenas seis países estão representados: Costa Rica, Equador, El Salvador, México, Panamá e Peru. Muitos outros estão presentes por meio de órgãos ambientais oficiais. E, desde sexta-feira (3), também ganharam representatividade, por meio de organizações de defesa dos direitos dos indígenas, que passam a ter voz e voto no Congresso.