Morre orca Tilikum, que matou treinadora em 2010; ativista comenta as condições do animal

- O Estado de S.Paulo

'Ele viu o pior do ser humano', disse Caroline Zerbato

Tilikum em 2011

Tilikum em 2011 Foto: AP Photo/Phelan M. Ebenhack

O parque Sea World anunciou na tarde desta sexta-feira, 6, a morte da baleia orca Tilikum. O animal, macho, ficou conhecido em 2010 após matar a treinadora Dawn Brancheau.

A causa da morte ainda não foi divulgada pelo parque, mas a orca sofria de uma infecção bacteriana no pulmão. Estima-se que ela tivesse por volta de 36 anos. "Estudos mais recentes apontam que os machos (orcas) vivem em média 60 anos. Ele se foi aproximadamente 24 anos antes de uma orca em habitat natural", defende Caroline Zerbato, ativista em prol dos direitos animais.

Já o Sea World afirma, em seu site, que Tilikum chegou "perto da ponta mais alta da expectativa de vida de uma orca macho". O parque não cita a fonte, apenas afirma que a informação vem de uma "revista científica independente".

Caroline relata que acompanha a história de Tilikum desde o acidente de 2010 e luta pela conscientização da população em relação aos shows com animais. "Os brasileiros são o maior grupo de estrangeiros que visita o Sea World. Ouço muita gente daqui dizer que eles (os animais) são muito bem tratados, mas isso não é da natureza deles", explica.

"Eu entendo a posição dos treinadores que pensam 'eu sei que isso é errado, mas, se eu sair, quem vai cuidar delas?' Eu entendo essa catarse. Mas, se você se dispõe a nadar com um animal de cinco toneladas em uma piscina que não é o habitat natural dele, você sabe do risco que está correndo."

Segundo a ativista, Tilikum já apresentava sinais de transtornos psíquicos quando foi levado ao Sea World de Orlando, há 25 anos. Ela explica que a separação das baleias de suas famílias já é algo traumático por si só. O parque anunciou que acabaria com os espetáculos com orcas e que não faria mais reprodução em cativeiro. As baleias atuais seriam, portanto, a última geração do Sea World. "Eu só acredito vendo", diz Caroline. "O ideal seria encaminhar todas para santuários marinhos. Dificilmente elas se adaptariam à natureza agora."

"Eu chorei muito quando recebi a notícia", relata a ativista. "O único consolo é que, finalmente, ele está livre".