Morfopsicologia ensina a entender pessoas através de seus rostos

Pedro Prata* - O Estado de S.Paulo

Área de estudo procura compreender a relação entre a personalidade de um indivíduo e as marcas que isso deixa na composição de sua face

O que seus traços faciais dizem sobre você?

O que seus traços faciais dizem sobre você? Foto: Pixabay/ @pexels

É curioso imaginar que montanhas imponentes possam ser moldadas por coisas tão pequenas como o vento ou a água da chuva, mas é exatamente isso que acontece na natureza. O nosso rosto sofre o mesmo tipo de ação, porém seus agentes modeladores são outros: nossas emoções e nossa personalidade.

A morfopsicologia é a área que analisa traços, linhas e formas do rosto de uma pessoa e o que tais características falam sobre sua personalidade. Mais difundida na Europa que no Brasil, essa técnica só foi oficializada em 1937 pelo doutor Louis Corman.

Graciela Lech, coordenadora da Ecole Brasil - escola francesa presente no País que ministra curso dessa área de estudo -, explica que a morfopsicologia é uma ferramenta de “autoconhecimento e para a compreensão do ser”. A especialista afirma que uma metade do nosso rosto é marcada pelas experiências do passado e outra representa o presente. Sendo assim, “é possível compreender como a pessoa mudou ao longo dos anos”.

Por meio das técnicas da morfopsicologia, pode-se antecipar se uma pessoa é focada, introspectiva, comunicativa, entre outras características comportamentais. Esse tipo de conhecimento é importante em áreas como, por exemplo, de recursos humanos. A morfopsicologia serve de ferramenta extra para um analista de RH entender o perfil de um entrevistado e concluir se tal perfil é adequado para a vaga que ele almeja.

Além disso, há também sua aplicação na comunicação. Uma pessoa que detenha esse tipo de conhecimento pode entender o perfil de quem ela está se comunicando e, dessa forma, escolher a melhor forma de falar para tornar sua comunicação mais exitosa.

“Por exemplo, se a pessoa para quem se está falando é mais cerebral, ela vai precisar de informações mais detalhadas sobre o que está sendo falado. Se é uma pessoa mais impulsiva, ela não quer muita informação, quer ir direto ao ponto”, exemplifica Graciela.

Morfopsicologia: qual é a percepção que você gera nas pessoas?

Morfopsicologia: qual é a percepção que você gera nas pessoas? Foto: Pixabay/ @pexels

Designer de moda e consultora de imagem, Cau Araújo estudou morfopsicologia e diz que o conhecimento potencializou o relacionamento com seus clientes. “No caso da consultoria [de imagem], o cliente fala quem ele quer ser e não quem ele é. Nesse sentido, a morfopsicologia me deu uma leitura muito mais clara de quem é o meu cliente, de como eu devo trabalhar com ele, se devo trabalhar de forma mais comunicativa ou mais sensível, por exemplo”, aponta.

Há ainda outro nível de aplicação que é a morfomaquiagem. É possível usar a maquiagem para alterar a mensagem que a pessoa quer passar. Em outras palavras, um simples batom marcante ou mais iluminação no rosto muda a percepção que os outros têm de você e isso acaba influenciando o seu próprio comportamento.

A coach e consultora de imagem Alessandra Bueno percebeu mudança significativa em sua vida profissional após fazer um curso de morfopsicologia em 2016. Ela contou ao E+ que aplicou certos fundamentos da morfomaquiagem em si mesma e isso mudou sua postura frente a projetos de seu interesse.

“Quando a gente se olha no espelho, automaticamente estamos passando uma mensagem para nosso interior.  E quando eu me maquiava dessa forma mais forte, eu olhava no espelho e me via como uma pessoa mais objetiva. Isso me impulsionou a ter postura mais ativa para concluir meus projetos”, relata.

As duas profissionais que estudaram morfopsicologia reconhecem que a esfera pessoal de suas vidas não ficaram imunes ao conhecimento adquirido. Cau Araújo confessou que agora se compreende melhor: “Me aceito melhor e parei de me julgar tanto por fazer certas coisas do jeito que eu fazia e que não achava certo fazer de outra forma”.

Já Alessandra Bueno relata que “no âmbito pessoal aprendi a me comunicar melhor com amigos, familiares, cônjuge. Então a morfopsicologia trabalha todas as esferas de relacionamento”.

*Estagiário sob supervisão de Charlise Morais