Marca lança cerveja 'para mulher' em 2017; veja o que uma sommelière pensa sobre o assunto

Luiza Pollo - O Estado de S.Paulo

O rótulo é cor de rosa e o sabor é ‘delicado’, mas as reações do público foram bem ácidas

  

   Foto: Pixabay

A marca Proibida virou piada na internet ao anunciar o lançamento de uma nova linha de cervejas. Entre as novidades de janeiro de 2017 está a ‘Proibida Mulher’. Ou melhor: ‘Proibida Puro Malte Rosa Vermelha Mulher’.

Na página oficial do Facebook, a marca revela que o produto será mais leve. “Delicada e perfumada, feita especialmente para você mulher”. 

A reação predominante ao anúncio no Facebook foi a carinha brava (ou ‘Grr’), com mais de 4 mil cliques. Depois disso vêm as curtidas, quase quatro vezes menos expressivas: mil e poucas pessoas deram um ‘like’ no post. Entre os que preferiram deixar um comentário, a ironia predominou. 

  

   Foto: Reprodução/Facebook

E, apesar de as mulheres terem comentado em massa, alguns homens também decidiram se pronunciar.

  

   Foto: Reprodução/Facebook

Juliana Crem, que fez parte da primeira turma a se formar no curso de sommelier de cervejas da Associação Brasileira de Sommeliers, considerou o lançamento “muito infeliz”. “Em pleno 2017, todo mundo lutando por igualdade de gênero, vem uma marca e faz isso. Não está só rotulando a cerveja, mas as pessoas que a consomem”, comentou.

A sommelière explica que os dados estatísticos realmente indicam que o público que consome cerveja é predominantemente masculino, mas que o estereótipo de que apenas os homens gostam de cervejas fortes e amargas não se aplica à realidade. “É como se fosse preciso aguentar o amargor para provar a masculinidade. Você também acaba colocando um rótulo no cara, diz que se ele não gosta de cerveja forte ele é menos homem”, explica. 

Juliana, que prefere as cervejas de trigo e as red ales, pontua que a bebida surgiu nas mãos das mulheres. A história mais aceita da descoberta da cerveja aponta que grãos esquecidos num recipiente acabaram germinando após a chuva. Uma mulher teria recolhido o produto, já na fase de malteação, e o aqueceu. A fermentação ocorreu e considera-se que foi criada uma cerveja primitiva.

“Mais do que outras, a cerveja é uma bebida feminina”, afirma. “Prefiro acreditar que foi só uma jogada infeliz de marketing. Todo mundo erra. Mas foi um tiro no pé”.

Outro lado. Procurada pelo E+, a assessoria de imprensa da Proibida afirmou que a marca ainda não havia decidido se iria se pronunciar. Não houve retorno até o fechamento desta reportagem.

Veja mais alguns comentários deixados no post do Facebook:

  

   Foto: Reprodução/Facebook

  

   Foto: Reprodução/Facebook

  

   Foto: Reprodução/Facebook

  

   Foto: Reprodução/Facebook

  

   Foto: Reprodução/Facebook