Jogar videogame virou profissão?

André Carlos Zorzi - O Estado de S.Paulo

Segmento de games no YouTube alcança sucesso estrondoso no Brasil

Foto: Pixabay

Atualmente, existem 19 canais com mais de 1 bilhão de visualizações no YouTube no Brasil. Entre eles, seis são canais com conteúdo baseado no mundo dos videogames, com números que os colocam próximos a grandes nomes como Anitta, Michel Teló, Luan Santana, Porta dos Fundos.

Um jogo em especial chama atenção: O Minecraft. Entre os cinco canais com mais visualizações no País, três produzem conteúdo exclusivamente referentes a ele.

Para os que não estão familiarizados com o termo, Pedro Rezende, 19, compara a um velho conhecido do público: "Diria que é um lego digital". "Crio séries e histórias dentro do Minecraft, com enredos e roteiros como os de filmes, mesmo", conta o dono do Rezende Evil (2,6 bilhões de visualizações).

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Marco Túlio, do Authentic Games (2,4 bilhões de visualizações), faz vídeos desde quando tinha cerca de 15 anos. "Na época em que comecei, jamais acreditaria que chegaria a mil inscritos. Hoje em dia, o canal é a minha principal fonte de renda", relata.

Leon, do Coisa de Nerd (1 bilhão de visualizações), é outro que começou graças ao jogo. "Fui pioneiro na produção de vídeos de Minecraft no Brasil. Na época, quase ninguém enxergava a demanda por um segmento de games", conta ele, que possui uma empresa de produção de conteúdo com o mesmo nome do canal, em sociedade com sua esposa, Nilce, que também participa dos vídeos. "Coisa de Nerd é nossa empresa de produção de conteúdo, vai além do canal. É a marca sob a qual estão outros canais e produtos", explica ela.

Foto: Reprodução / YouTube

Uma das séries que vem fazendo mais sucesso no canal recentemente é a de Leon jogando Pokémon Go, um dos games de maior sucesso nos últimos tempos, e que vêm alcançando cerca de 2 milhões de visualizações cada. Ele e Nilce chegam a utilizar duas câmeras para gravar suas reações e comentários enquanto saem à caça dos monstrinhos pelas ruas de Vancouver, no Canadá, onde o jogo já foi lançado. 

Foto: Reprodução / YouTube

Já o gamer Zangado (340 milhões de visualizações), 29, tem como atrativo do seu canal um segmento bastante forte no YouTube, os gameplays. Nesse estilo de vídeo, é possível ver a tela do game sendo jogado, somada aos comentários feitos por quem joga. "Alguns inscritos comentam para mim: 'Não tenho dinheiro para comprar um jogo, e queria assistir. Com você seria o ideal", explica. Porém, ele não grava a jogatina na íntegra: seus vídeos de maior sucesso são os que mostram a primeira hora de jogo, ou avaliando se um game vale a pena ou não.

Curiosamente, Zangado só aparece em seus vídeos mascarado. "Queria fazer vídeos, mas não podia me expor, por causa da minha profissão. Uma ou duas vezes por semana, estou na obra como engenheiro, e o restante do tempo uso para produzir para o YouTube e me atualizar sobre lançamentos", explica.

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O sucesso também faz com que enveredem por outros caminhos. Marco Túlio já lançou um livro baseado em seu canal, caminho que deve ser seguido por Zangado, em breve, numa publicação narrando sua trajetória na internet. Leon e Nilce contam que devem retomar em breve projetos relativos à escrita, que tinham desde antes do YouTube, e Pedro Rezende já possui dois livros, devendo lançar mais um até o final do ano, além de produzir uma peça de teatro sobre seu canal.

Cada vez mais o mercado dos games deixa de ser uma fonte de renda e trabalho somente para as grandes produtoras de consoles e cartuchos, ou aficcionados que disputem grandes torneios com premiações, e o YouTube tem grande influência nisso. 

Hoje em dia, não é exagero dizer que é possível jogar videogame como profissão.