Instituição ensina crianças sobre desigualdade social com Banco Imobiliário

Redação - O Estado de S.Paulo

Organização francesa produziu um vídeo no qual modificou as regras para provocar reações nos pequenos

Banco Imobiliário 'distorcido' acaba irritando as crianças por causa das regras injustas

Banco Imobiliário 'distorcido' acaba irritando as crianças por causa das regras injustas Foto: pcdazero/Pixabay

Poucos dias antes das eleições presidenciais da França, disputadas por Marine Le Pen, candidata da extrema-direita, e Emmanuel Macron, do centro, a organização Observatoire des Inegalités (Observatório das Desigualdades) decidiu provocar a reflexão dos eleitores franceses ao colocar crianças para brincar de Banco Imobiliário com algumas regras distorcidas. 

Na partida, alguns jogadores começam com mais dinheiro do que outros; uma garota sempre ganha menos dinheiro do que os garotos; um menino branco ganha imunidade para prisão enquanto que seu colega negro é enviado para a cadeia; outro só tem permissão de comprar casas em determinada rua; um não pode construir uma estação de trem por ser cadeirante; e outro só pode jogar com dados que permitem andar uma casa por vez. 

O pequeno experimento tenta simular as desigualdades sociais da realidade. A ideia é mostrar que, na prática, as pessoas não têm as mesmas condições ao longo da vida para alcançar o sucesso.

Ao longo da partida, as crianças começam a se frustrar e irritar com as regras injustas. Ao fim do vídeo, o Observatoire des Inegalités mostra alguns dados: somente 14% de pessoas consideradas parte de uma minoria ganham uma resposta positiva para adquirir um apartamento. As mulheres ganham 23% menos do que os homens. Para infrações idênticas, pessoas de baixa renda têm três vezes mais chances de serem condenadas. Crianças de famílias com renda mais baixa têm menor desempenho escolar e, aos 14 anos, 35% repetiram de ano.

No site da ONG, o texto de apresentação do vídeo provoca. "Esta partida incomum permite demonstrar como nem as chances de largada, nem as de competição são iguais em nossa sociedade. O meio social, o nível de vida, a cor da pele, a deficiência física ou ainda o sexo pesam na balança e nas chances de ganhar a partida, ficar rico e morar confortavelmente". 

Ao fim do vídeo, o convite: "é hora de mudar as regras do jogo".

Confira o vídeo: