Igreja ortodoxa russa faz campanha contra filme sobre romance de czar

redação - O Estado de S.Paulo

Longa que conta o caso amoroso que o imperador Nicolau II teve antes do casamento é considerado uma ofensa pela instituição

Cartazes espalhados pela igreja ortodoxa russa reforçam o amor entre Nicolar II e a esposa Alexandra.

Cartazes espalhados pela igreja ortodoxa russa reforçam o amor entre Nicolar II e a esposa Alexandra. Foto: Yuri Kadobnov/AFP Photo

A igreja ortodoxa russa se manifestou contra um filme que conta a história de amor entre o último czar da Rússia Nicolau II e a bailarina polonesa Matilda Kshesinskaya.

A instituição religiosa espalhou 300 cartazes por Moscou em que o imperador está ao lado da esposa Alexandra, com quem se casou depois do affair.

Para a igreja, que considera Nicolau um mártir, o longa-metragem é uma ofensa e uma descrição desrespeitosa dele, 

Embora os letreiros não façam referência direta ao filme Matilda, do cineasta Alexei Uchitel, a campanha intitulada Nicolau II e Alexandra Fyodorovna: Palavras de Amor traz citações que afirmam o vínculo amoroso que o casal teve. As frases teriam sido tiradas de cartas e diários do czar, que afirmam os valores familiares de "fé, amor e respeito mútuo".

Nicolau II, que foi assassinado junto com Alexandra e os filhos pelos bolcheviques em 1918, foi canonizado pela igreja ortodoxa em 2000. Natalya Poklonskaya, membro do parlamento do pró-Kremlin, disse que "você não pode tocar os santos" ou "mostrá-los tendo relações sexuais, porque isso ofende os sentimentos dos crentes".

Em agosto, o escritório de Uchitel, em São Petersburgo, foi atacado com coquetéis molotov e dois carros foram incendiados em frente ao escritório dos advogados dele. Na ocasião, foram espalhados panfletos em que se lia "Queimarás por Matilda".

Alguns cinemas se recusaram a exibir o filme - que tem data de estreia prevista para 26 de outubro - devido a ameaças de ataques. A polícia russa abriu um indiciamento relacionado ao fato. No dia 23 de setembro, a polícia disse que tinha detido quatro homens, incluindo o líder de um grupo religioso radical, que tinham conexão com o ataque relacionado ao filme.

O diretor Uchitel disse a uma rádio russa que a campanha da igreja é um sinal positivo. "Eu acredito, sem qualquer ironia, que isso é uma coisa muito boa e realmente apoiará nosso filme, porque corresponde completamente ao conteúdo do filme", afirmou.

O longa, porém, recebeu apoio dos deputados russos, que o consideraram "interessante e profissional". Os parlamentares afirmaram que Uchitel teve êxito ao fazer um bom filme, "introduzindo de uma forma orgânica a imaginação artística no contexto da história de nosso grande país".

O presidente Vladimir Putin tem se esforçado para permanecer neutro, dizendo que ele respeita o diretor do filme como uma "pessoa muito patriótica" e o político, que tem "sua opinião".

Com informações de Reuters e EFE