Idosos em quarentena: Confira dicas para aproveitar melhor o tempo em casa

Camila Tuchlinski - O Estado de S.Paulo

Atividades prazerosas como jogar xadrez, fazer crochê e rever fotografias podem ressignificar isolamento

Vera Aparecida Moraes, de 75 anos, que decidiu retomar o crochê durante a quarentena devido ao novo coronavírus.

Vera Aparecida Moraes, de 75 anos, que decidiu retomar o crochê durante a quarentena devido ao novo coronavírus. Foto: Arquivo pessoal

Tem muita gente que está fazendo planos durante a quarentena: arrumar gavetas, organizar roupas, aquela penteadeira que está repleta de quinquilharias. Mas colocar metas muito rígidas e obrigações na lista pode causar mais estresse no isolamento.

Vera Maria Moraes tem 75 anos e mora em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. A pandemia do novo coronavírus fez com que a aposentada se recordasse de algo que há anos não fazia, o crochê. “O que é mais difícil são as notícias. A gente fica vendo direto o mesmo assunto, então, comecei a ficar angustiada, deprimida, aí fiz o seguinte: peguei um novelo de lã, peguei minha agulha de crochê e comecei a fazer”, conta.

Vera também decidiu manter uma rotina: “De manhã acordo, tomo meu banho, me arrumo como se fosse sair pra rua passear, cuido da casa direitinho. Faço que tem que ser feito e, pra não ficar só falando nisso (coronavírus), pego meu crochê. Comecei a fazer uma toalha. Então, to bem animadinha aqui, esperando esses dias difíceis passarem”, diz.

Ela lembra que há muitos anos não costurava. “Já fazia algum tempo que não estava mais mexendo com crochê e nem com costura. Muito tempo! Eu já tinha lã e as agulhas de crochê e tricô. Pra mim agora, foi ótimo! Você esquece do problema”, conclui Vera, que tem a consciência de que é importante manter a quarentena para sua própria saúde e a dos outros.

A falta de interação social e contato com a família podem gerar ansiedade e agravar casos de depressão em idosos, na análise da psicóloga Daniela Bernardes, do Residencial Club Leger, instituição que faz acolhimento dessa faixa etária. A especialista dá algumas dicas para superar esse período:

- Jogos de mesa e dominós: Muito esquecidos nas gavetas empoeiradas de casa, podem ajudar muito na distração. São atividades que proporcionam a interação entre pais e avós. “Regular esse dispositivo é extremamente saudável para evitar ansiedade desnecessária. O momento é de consciência e responsabilidade, mas não de alarmes”, afirma a psicóloga.

- Rever álbum de fotografias: Falar de casos passados e ver fotos pode ser uma forma de trazer aos idosos a importância de sua história e fazer com que se recordem de momentos felizes. Tudo isso pode ser compartilhado também de forma virtual, para quem não consegue estar com eles. “Essa atividade ajuda a dar um sentido positivo às experiências deles e retomar sua importância na vida de cada membro familiar”, explica.

- Resgatar filmes antigos: Daniela Bernardes afirma que sugerir títulos, caso eles não estejam no mesmo ambiente dos demais parentes, alivia o sentido de afastamento, além de ser um poderoso método de distração e divertimento.

- Ligações ao longo do dia: Também são vitais para aqueles que estejam distantes. Neste caso, devamos fazê-los se sentirem seguros, reforçando que esse período difícil é algo passageiro, mas que requer cuidados.

“Faz parte de nosso mecanismo psíquico acomodar-se cada um a seu modo, por vezes desenvolvendo a tristeza e a angústia. As estratégias que consideramos tendem a ser uma forma de alívio desses mecanismos, até que cada um internamente encontre sua forma de enfrentamento, cada um tem seu tempo para isso”, conclui a psicóloga.

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