Homossexuais são agredidos em festa de escola de samba

Anita Efraim - Especial para O Estado de S. Paulo

Caso ocorreu no bairro Lagoa da Conceição, em Florianópolis

Vítimas registraram boletim de ocorrência na 10ª DP da Capital

Vítimas registraram boletim de ocorrência na 10ª DP da Capital Foto: Pixabay

Na madrugada desta segunda-feira, 27, Vítor Delboni, 25 anos, e Leomir Bruch, 23 anos, estavam em uma festa no bairro Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Bruch decidiu ir embora, deu um beijo em seu amigo. Os dois foram agredidos. "Quando eram umas 2h30 um amigo [Leomir] veio se despedir de mim e a gente se beijou, aí um cara me empurrou por trás, e ele falou 'vocês não podem se beijar aqui, vai embora'", afirma Vitor.

"Eu olhei para ele tentando entender, deixei para lá e continuei beijando meu amigo, porque sou livre, posso, não estava fazendo nada demais. O cara veio, me puxou pelo cabelo, me arrastou", relata. Leomir também foi agredido e jogado no chão, de acordo com Vitor. Quando estava caído, o jovem levou socos e chutes.

Vitor afirma que o homem que começou a briga fazia parte da escola de samba do bairro, a União da Ilha da Magia. De acordo com o agredido, a pessoa estaria usando uma camiseta que indicava que era da escola. Quando conseguiram, os dois saíram correndo e foram para longe da confusão.

Mais tarde, os dois foram a 10ª Delegacia de Polícia da Capital registrar um boletim de ocorrência sobre o caso. De acordo com o documento, as vítimas foram agredidas com socos e chutes e ameaçados de morte pelos agressores.

Valmir Nena, presidente da União da Ilha da Magia, confirmou a confusão, mas negou que o agressor seja membro da escola de samba. "A agressão que aconteceu não é de nenhum membro da escola de samba, é um morador da comunidade, uma festa que a escola estava promovendo, com quase três mil pessoas, e houve um desentendimento entre dois grupos", explica. Ele ainda diz que tentou intervir no momento da agressão.

"Um grupo dizia que era homofobia e o outro dizia que tinha sido assediado por um menino. Eu posso confirmar com toda certeza que a pessoa não é membro da escola, ele é morador da região onde é a sede da escola", reforça Nena. "A União da Ilha da Magia repudia qualquer ação neste sentido [da homofobia]. Tanto é que os casais gays que estavam dentro do nosso pavilhão não sofreram nenhuma repressão de nossa parte."