Homens na Holanda estão andando de mãos dadas em protesto a agressão contra casal gay

Redação - O Estado de S.Paulo

Políticos, embaixadores, atores e policiais heterossexuais se uniram para repudiar homofobia

Protesto nas ruas de Amsterdã em solidariedade ao casal que foi vítima de homofobia

Protesto nas ruas de Amsterdã em solidariedade ao casal que foi vítima de homofobia Foto: AP/Michael C Corder

Um movimento de solidariedade está ganhando força nos últimos dias na Holanda e em outras cidades do mundo. Políticos, embaixadores, policiais e cidadãos comuns, muitos deles heterossexuais, passaram a dar as mãos em protesto a uma agressão contra um casal gay que foi espancado por pelo menos seis adolescentes na madrugada do último domingo apenas por andarem de mãos dadas na rua. 

As vítimas, Ronnie Sewratan-Vernes e Jasper Vernes-Sewratan, foram atacadas pelos jovens enquanto caminhavam na rua na cidade de Arnhem, interior da Holanda. Após serem xingados e espancados, Ronnie perdeu quatro dentes da frente e teve uma rachadura em outro e Jasper teve as costelas quebradas. 

A agressão homofóbica foi relatada em post no Facebook. "Que isso ainda possa acontecer em 2017 é incompreensível e difícil de entender", escreveu Ronnie no texto, que foi compartilhado mais de 7,6 mil vezes. 

Segundo comunicado da polícia holandesa, o casal foi atacado com um alicate. Dois suspeitos foram presos e outros quatro tiveram ligação com o crime. As investigações ainda estão em curso.

'Todos os homens de mãos dadas'. A partir daí, internautas criaram a hashtag #allemannenhandinhand ("todos os homens de mãos dadas" em holandês) para demonstrar apoio a Ronnie e Jasper pelas redes sociais. O nome da hashtag é inspirado no tuíte da jornalista Barbara Barend, fundadora de uma revista holandesa, que escreveu no domingo, mesmo dia da agressão: "Podem nessa semana todos os homens (héteros e gays) andarem de mãos dadas?".

Entre as personalidades que aderiram à causa, estão políticos, jogadores de futebol, atores, policiais e cidadãos comuns. O ministro de Emprego e Assuntos Sociais, Lodewijk Asscher, por exemplo, postou uma imagem de mãos dadas com o primeiro-ministro Mark Rutte. 

Embaixadores da Holanda em Londres, na Inglaterra, e em Camberra, na Austrália, também demonstraram solidariedade nas redes. 

Jogadores de futebol de um clube da cidade de Nijmegen, próxima a Arnhem, onde a agressão homofóbica ocorreu, também entraram na campanha.

 

N.E.C. keert geweld tegen homo's de rug toe. #allemannenhandinhand #handinhand #morethanfootball @npo3fm

Uma publicação compartilhada por N.E.C. Nijmegen (@necnijmegen) em

E inclusive integrantes da polícia decidiram participar.

 

#handinhand #moetkunnen #stopgeweldtegenhomos #allemannenhandinhand #loveisallweneed ❤ #instapolitie #politieijsselmonde #rotterdam #zuid

Uma publicação compartilhada por Wijkagent Beverwaard (@pol_saskia) em

Lembrando que a Holanda foi o primeiro país do mundo a legalizar o casamento gay, em 2001 - apesar disso, ainda assim existem casos de homofobia no país.