Homem faz perfil no Instagram para satirizar influenciadores fitness

Redação - O Estado de S.Paulo

Após começar a se relacionar com uma influenciadora, Edward Lane resolveu usar o bom-humor para ironizar alimentação e hábitos da namorada

Após acompanhar a rotina de sua namorada, uma blogueira fitness, Edward Lane resolveu satirizar esse universo com um perfil no Instagram.

Após acompanhar a rotina de sua namorada, uma blogueira fitness, Edward Lane resolveu satirizar esse universo com um perfil no Instagram. Foto: instagram.com/wellness_ted/

Edward Lane é um jornalista da revista Men's Health do Reino Unido e, desde que começou a namorar Amy Hopkinson, começou a ver as redes sociais de uma maneira diferente.

Ela é uma aspirante a influenciadora digital e tem um perfil no Instagram, o Wellness_Ed, em que dá dicas para uma vida saudável. Já ele achava que as redes sociais eram apenas "um lugar para marcar amigos em vídeos de cachorros andando de patinete", conforme contou ao Mashable.

Porém, nos últimos 18 meses, ele fica atrás das câmeras ajudando Amy em sua empreitada. "De repente, eu tive de ficar em pé no sofá, ou atrás dela, para conseguir um bom ângulo de um mingau de aveia perto dos pés dela, ou ficar desajeitado atrás dela para evitar aparecer nos Stories da manhã. A coisa toda é insana", conta.

Ao perceber que centenas de pessoas acompanham a namorada dele "comendo salada" e descobriu a paixão das pessoas por "calças legging, barras de cereal e abacate", Edward teve uma ideia: criou um perfil-sátira no Instagram, o Wellness_Ted.

A biografia do perfil descreve Wellness Ted como um "personal trainer não-qualificado" e um "nutricionista sem conhecimento" que está "pregando o bem-estar com uma selfie por vez".

No perfil, Edward publica suas próprias versões de posts comuns em perfis de influenciadores relacionados ao mundo 'fit'. As refeições que ele publica, por exemplo, fazem uma sátira às dicas de alimentação das 'blogueiras'.

Em vez de fotografar comidas "saudáveis", ele publica imagens de hambúgureres, nuggets, doces, alimentos fritos e repletos de queijo, além de muito carboidrato - um dos grandes inimigos de pessoas que seguem dietas paleo e low-carb.

"Dieta Paleo. Eu comecei a comer como um verdadeiro homem das cavernas recentemente. Comer como um pré-histórico em vez de comer comida processada realmente ajudou a estabilizar os níveis de açúcar do sangue e me deu mais energia. Dinossauros ajudam a construir músculos".

 

"Progresso: na esquerda, não-saudável. Na direita, saudável. No começo do ano, eu pensava que o único jeito de conseguir um abdome sarado era ter uma dieta restritiva. Pizza estava no cardápio, mas apenas em pequenas porções. E, como vocês podem ver pela minha expressão, eu não estava feliz. Então eu descobri a dieta de 'alimentos inteiros'. Antes, eu não sabia o que isso significava - até perceber que significa O ALIMENTO INTEIRO. E então, eu nunca mais olhei para trás". 

 

Edward acredita que os influenciadores do mundo 'fit' se levam muito a sério e fez a paródia com a intenção de criticar isso. "Eles realmente acreditam que estão na vanguarda, enquanto faturam uns 500 euros em roupas de ginástica em academias de luxo, pagas por, simplesmente, uma postagem no Instagram em que marcam a localização de um resort", diz Edward.

Além disso, o jornalista ainda alerta para os perigos que essa tendência de 'bem-estar' no Instagram pode trazer, já que muitos seguidores acatam a opinião das influenciadoras como uma 'religião'. "Já houve várias pesquisas sobre as redes sociais que mostram que há muitas pessoas vulneráveis procurando por uma direção, e o problema é que a ciência real de um nutricionista ou profissional de educação física não é tão atraente ou apelativa como a menina bonita mostrando seus brunches saudáveis e seus treinos", opina.

Vale ressaltar que, recentemente, o Instagram foi eleito a pior rede social para a saúde mental dos jovens. Segundo a pesquisa Status Of Mind, realizada no Reino Unido pela Royal Society for Public Health em parceria com o Young Health Movement, mostrou que, em comparação com Facebook, Snapchat, Twitter e YouTube, o Instagram é a que deixa os adolescente 'mais para baixo'.