Homem adota dez crianças para não separar irmãos biológicos

Redação - O Estado de S.Paulo

Uanderson Barreto de Souza formou a família que sempre sonhou: 'eu queria ter meus filhos'

Uanderson com nove dos dez filhos adotados; um ainda está no abrigo.

Uanderson com nove dos dez filhos adotados; um ainda está no abrigo. Foto: Reprodução do programa 'Fantástico' (2019) / TV Globo

Solteiro, o enfermeiro Uanderson Barreto de Souza fez o que apenas 14% dos casais que querem adotar no Brasil fariam: aceitar filhos entre sete e 17 anos. E ele não adotou apenas um, mas dez filhos.

A história deste pai, contada no Fantástico deste domingo, 11, é um caso "singular", conforme disse uma promotora, e mostra que não há como fugir do amor quando ele surge por meio de um pedido ou de um sorriso.

O primeiro a ser adotado, aos nove anos, foi João. Souza tinha começado a trabalhar em casas de acolhimento e as pessoas sabiam de seu desejo de constituir uma família grande. Uma psicóloga do local sugeriu o menino e o enfermeiro aceitou.

"Fiquei muito feliz, porque era meu sonho ser adotado, desde criança", disse João, hoje com 16 anos. Na época da adoção, o menino pediu para que Souza também adotasse o irmão dele, Daniel, que foi diagnosticado com deficiência cognitiva. No Brasil, apenas um em cada dez interessados em adotar aceitam crianças com limitações físicas e mentais.

Depois, o enfermeiro foi convidado para o aniversário de Alexandre, irmão biológico dos filhos já adotados, que também passou a integrar a família. Posteriormente, Souza conheceu o Leonardo, que tem o sonho de ser jogador de futebol. Junto com ele veio Pedro, seu imão, adotado ao sete anos.

Com cinco filhos, o enfermeiro considerou que estava bom, mas então um amigo o chamou para trabalhar em outra instituição. "Ao chegar, eu me deparei com o sorriso mais lindo do mundo", relembra. Era Jocilan, cuja mãe não tinha condições de criar muitos filhos e, em um acordo com Souza, permitiu que o menino fosse morar com ele.

O sétimo filho foi Marcos, um jovem negro que ficava triste por ver as outras crianças do abrigo, mais novas do que ele e brancas, serem adotadas. O rapaz enviou uma mensagem por rede social para Souza e pediu para ser adotado, aos 17 anos, e foi atendido. A irmã dele, Luciara, estava com 18 anos e, por lei, deveria sair da casa de acolhimento, mas não teria para onde ir. Ela também foi adotada. Outra irmã deles, Vitória, recebeu o mesmo acolhimento e os três irmãos permaneceram juntos. O décimo filho de Souza ainda não está em casa. Ele tem oito anos, é irmão de Marcos, Luciara e Vitória, e continua na instituição.

Com atitude, o enfermeiro mostrou aos filhos o quanto é importante estar junto das outras pessoas e ajudar. Como forma de passar isso adiante, toda a família arrecada roupas e, uma vez por semana, realiza o Cabide Solidário, projeto que doa as vestimentas para moradores de rua.

"Nossa família sempre foi muito grande. Minha vó, Tereza, com dez filhos e minha tia Terezinha também com dez filhos. Eu sabia que eu queria ter uma família, eu queria também ter meus filhos", conta Souza, que conseguiu realizar o próprio sonho e o de algumas crianças que querem ser adotadas.