Hipocondria pode ser condição de quem pensa demais em si mesmo 

Anita Efraim - Especial para O Estado de S. Paulo

Sintoma tem como característica principal a crença de que se está sempre com alguma doença ou desconforto no corpo

Tratamento mais adequado para a hipocondria é medicamentoso e psicoterapeutico

Tratamento mais adequado para a hipocondria é medicamentoso e psicoterapeutico Foto: Val-gb/ Pixabay

É comum se referir a uma pessoa como hipocondríaca quando ela toma muitos remédios. No entanto, a hipocondria vai além dessa compreensão: ela é diagnosticada quando alguém acha que algo orgânico não está funcionando, ou seja, acredita que há algo de errado com seu corpo, com o funcionamento dele. Em outros termos, o paciente fica convencido de que tem alguma doença.

"É o que o público leigo define como 'mania de doença'", explica o psiquiatra e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Amilton dos Santos Junior. O médico explica que há diferentes graus de hipocondria, e um deles está ligado a diferentes situações na vida do paciente, como a depressão ou a ansiedade.

"Uma menor parte dos casos chegam a ter transtornos mentais mais graves, do espectro da psicose e pode ter até delírios hipocondríacos", diz. Nesses casos, as pessoas vão ao médico, fazem exames e, mesmo se tudo está normal, continuam com a suspeita de que há algo errado.

Aurélio Melo, psicólogo e professor de Psicologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie, aponta que, às vezes, o hipocondríaco pode ter medo de viver, ou o oposto: ter medo de morrer.

Tanto Melo quanto Amilton indicam que quem sofre do sintoma, muitas vezes, é uma pessoa excessivamente autocentrada. "Algumas pessoas, por características de temperamento, se preocupam muito consigo", diz o psiquiatra. "Na maior parte das vezes, elas desenvolvem preocupações hipocondríacas quando estão em um contexto de vida mais complicado", como separação, momentos de tensão no trabalho e problemas familiares, exemplifica.

O tratamento é medicamentoso e psicoterapêutico. "O paciente pode melhorar bem", diz o psicólogo, mas é complicado falar em erradicação da condição, pois ela pode voltar.

Amilton afirma que a psicoterapia é essencial para que se possa analisar cada caso com cuidado. "Muda a abordagem, mas sempre é recomendada para entendermos o que leva a pessoa a ter tanta preocupação com o corpo", diz.