Gata conforta idosa durante seus últimos dias de vida

Danielle Sanches, especial para O Estado de S.Paulo - O Estado de S.Paulo

Ela cuidou de Trooper desde que esta era um filhote e, quando ficou doente, recebeu todo o amor e a lealdade do animal

Trooper tinha apenas dois meses quando foi resgatada de dentro de uma parede em uma casa na Georgia, Estados Unidos. 

Trooper tinha apenas dois meses quando foi resgatada de dentro de uma parede em uma casa na Georgia, Estados Unidos.  Foto: Alexis Hackney / Arquivo Pessoal

O cachorro é o melhor amigo do homem. Mas, e os gatos? Cada vez mais, a vida real produz exemplos de que a fama de traiçoeiros, indiferentes e frios dos bichanos é pura intriga da oposição. 

Uma dessas histórias inspiradoras vem dos Estados Unidos. Trooper é uma gatinha que teve um início de vida difícil: em 2014, ela foi encontrada dentro de uma parede em uma casa na Geórgia. Sua mãe havia desaparecido e seus dois irmãos não sobreviveram. Ela mesma quase não resistiu. 

“Meu pai ouviu um miado no porão e decidiu investigar”, disse Alexis Hackney, que adquiriu a casa com a família para reformá-la e vendê-la depois. “Minha mãe e minha irmã precisaram quebrar a parede com marretas para resgatá-la”, contou ela, em entrevista exclusiva ao E+

Trooper tinha por volta de dois meses e ainda era muito pequena. Compadecidos pela situação, Alexis e a família voltaram para casa, na Flórida, com a gatinha na bagagem. Chegando lá, a mágica aconteceu: a felina conheceu a avó de Alexis, Whaley, que gostava muito de gatos e passou a alimentar a pequena com mamadeira. 

Trooper e Whaley estabeleceram uma conexão imediata e se tornaram muito próximas.

Trooper e Whaley estabeleceram uma conexão imediata e se tornaram muito próximas. Foto: Alexis Hackney / Arquivo pessoal

Whaley morava com a família há 18 anos. A conexão com Trooper foi imediata: enquanto alimentava a gatinha, ela conversava com o animal e também dizia o quanto ela era querida. “Trooper costumava então dormir em seu peito. Quando ficou maior, as duas iam dormir juntas na cama”, diz Alexis. “Ela sempre teve problemas de saúde e, quando se sentia mal, Trooper estava ao seu lado para amenizar a dor”, conta a americana.

O início do fim. No natal de 2017, Whaley, aos 96 anos, começou a ficar cada vez mais debilitada. Nessa época, Trooper sinalizou que havia algo errado: ela passou a dar batidinhas suaves com a cabeça em um dos joelhos da idosa. “No começo achamos estranho, mas depois descobrimos que ela estava com uma infecção e precisou ser operada”, conta Alexis. “Trooper sabia o tempo todo e tentou nos avisar”, acredita ela. 

Trooper permanecia ao lado de Whaley, que estava doente, em todos os momentos.

Trooper permanecia ao lado de Whaley, que estava doente, em todos os momentos. Foto: Alexis Hackney / Arquivo pessoal

Quanto mais a saúde de Whaley se deteriorava, maior era o tempo que Trooper passava ao seu lado. “Dava para ver que ela estava incomodada com a vovó naquele estado”, diz Alexis. Mesmo assim, a gatinha permanecia ao seu lado em todos os momentos para acalmá-la e confortá-la - até mesmo quando a idosa precisava tomar seus remédios, por exemplo.

Whaley, então, parou de se levantar. “Foi aí que os ‘presentes’ começaram”, conta Alexis. Trooper passou a buscar qualquer coisa - canudos, brinquedos de gatos, meias, bichinhos de pelúcia - para levar até a cama e animar sua humana preferida.

Quando Whaley parou de sair da cama, Trooper passou a levar 'presentes' para a idosa: canudos, brinquedos de pelúcia, meias - qualquer coisa que pudesse animá-la.

Quando Whaley parou de sair da cama, Trooper passou a levar 'presentes' para a idosa: canudos, brinquedos de pelúcia, meias - qualquer coisa que pudesse animá-la. Foto: Alexis Hackney / Arquivo pessoal

Em março de 2018, Whaley faleceu em casa. Trooper, então, se recusou a entrar no quarto. “Eu a levei para ver o corpo. Queríamos que ela entendesse o que havia acontecido. Mas ela pulou e foi se esconder embaixo da cama dos meus pais”, conta Alexis. 

Depois do enterro, Trooper passou semanas chorando pela casa e chamando pela idosa. “Ela se recusou a comer, ficava escondida o tempo todo e não queria brincar nem ser tocada ou acariciada”, diz a americana. “Foi um caso sério de luto e depressão, uma coisa bem humana mesmo”, acredita Alexis. A situação toda deixou a família emocionada. “Trooper nunca foi muito afetuosa, por isso ficamos tocados com o tanto de amor e lealdade que ela tinha pela vovó”, diz. 

Um novo começo. Quase cinco meses depois, Trooper está bem melhor. “Ela se tornou mais afetuosa com todos”, revela Alexis. “Agora ela dorme conosco. Durante a madrugada, sabemos que ela faz uma espécie de ‘ronda’ para que possa ficar um pouco na cama de todo mundo”, diz. 

Trooper ainda visita o antigo quarto de Whaley de tempos em tempos. “Sabemos que ela pegou as pantufas da vovó de dentro do armário e carrega por aí”, conta Alexis. E as meias e outros presentinhos ainda continuam sendo deixados próximos da cama onde Whaley e Trooper passaram tantos momentos juntas. 

Mesmo após a partida de Whaley, Trooper ainda passa alguns dias no antigo quarto da idosa e ainda tem o costume de levar 'presentes' e deixá-los próximo à cama onde ela ficava. 

Mesmo após a partida de Whaley, Trooper ainda passa alguns dias no antigo quarto da idosa e ainda tem o costume de levar 'presentes' e deixá-los próximo à cama onde ela ficava.  Foto: Alexis Hackney / Arquivo pessoal