Família de paciente com Transtorno Obsessivo Compulsivo também precisa de cuidado

Camila Tuchlinski - O Estado de S.Paulo

Sentimento de culpa, confusão e inconformismo são comuns entre os familiares; entenda

Família de pacientes com Transtorno Obsessivo Compulsivo também precisam de cuidados.

Família de pacientes com Transtorno Obsessivo Compulsivo também precisam de cuidados. Foto: Unsplash

Quando se fala em saúde mental, não é raro ouvirmos algumas frases que acabam tomando conta do senso comum. Não é diferente com o Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Sabe aquela pessoa que você conhece e que gosta de tudo muito bem organizado, do jeitinho dela, e não abre mão disso? Só esse comportamento não é suficiente para dizer que a pessoa ‘tem TOC’.

Normalmente, o paciente que tem o transtorno se comporta de maneira obsessiva porque não consegue deixar de pensar que algo catastrófico poderá acontecer se não agir de determinada maneira. “São pensamentos desprovidos de lógicas, mas que geram uma ansiedade intensa, com uma grande aversão a possibilidade de ser punido por causa de suas imperfeições”, afirma o psicólogo Arnaldo Vicente, porta-voz do livro TOC: Livre-se do Transtorno Obsessivo Compulsivo, de Jeffrey M. Scwartz, um dos maiores especialistas mundiais em Neuroplasticidade.

Pessoas que têm o transtorno podem, por exemplo, passar 30 minutos trancando e destrancando a porta de casa, de maneira repetitiva, para evitar que algum familiar morra. Normalmente, a ação compulsiva pretende evitar que uma tragédia, que só está na mente do indivíduo, ocorra.

Segundo os estudos realizados durante vinte anos pelo pesquisador Jeffrey M. Scwartz, existem quatro passos para mudar a química do cérebro: renomear, reatribuir, redirecionar a atenção e reavaliar. O TOC pode surgir de modo inesperado e solitário.

Conviver com o paciente pode exigir paciência, mas a participação da família no processo de tratamento é fundamental, na opinião de Arnaldo Vicente, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental. “Familiares e pessoas de seu círculo afetivo social devem colaborar na medida em que ajudam o indivíduo com TOC a desenvolver uma visão diferente sobre seus próprios comportamentos compulsivos”, avalia. 

Para o psicólogo, é preciso buscar informações em fontes confiáveis: “Os familiares demonstram um alto nível de preocupação, inconformismo, confusão, sentimentos de culpa, impotência. É preciso ajudar o paciente a perceber que, quanto mais escolher não dar crédito aos pensamentos obsessivos e não executar as compulsões, mais tempo terá para vivenciar atividades prazerosas, revigorantes e produtivas ao bem-estar”. 

Situações de comportamentos obsessivos-compulsivos

É importante esclarecer a população e dar exemplos dos tipos de comportamentos típicos dos pacientes que apresentam o TOC. Para isso, contamos com a ajuda do psicólogo Arnaldo Vicente, porta-voz do livro TOC: Livre-se do Transtorno Obsessivo Compulsivo, de Jeffrey M. Scwartz.

 

Obsessões: Preocupação excessiva com sujeiras e germes, medos infundados de contrair uma doença, aversão excessiva às secreções do corpo, obsessões pelo corpo, necessidade obsessiva por simetria, necessidade irresistível de alinhar objetos, guardar e acumular coisas que não necessita, compulsão em pensamentos sexuais, repetição de rotina sem motivo lógico; repetir perguntas sem parar, medos infundados de que deixou de fazer alguma tarefa de rotina, pensamentos incômodos de blasfêmia ou sacrilégio, preocupação excessiva com a moralidade e com o certo ou errado.

 

Obsessões com conteúdo agressivo: Medo de ter causado alguma tragédia terrível, como um incêndio fatal, imagens intrusivas repetitivas de violência; medo de agir de acordo com um pensamento violento, como esfaquear ou atirar em alguém, medo irracional de ter ferido alguém, por exemplo.

 

Compulsões: Ações ritualizadas e excessivas de lavar as mãos, tomar banho ou escovar os dentes; sensação inabalável de que itens domésticos, como pratos, estão contaminados ou não podem ser lavados o bastante para se tornarem “limpos de verdade”, necessidade de alinhar latas na despensa em ordem alfabética, pendurar roupas no mesmo lugar no guarda-roupa todos os dias, ou usar certas roupas em dias específicos.