Estudo revela que influenciadoras brasileiras têm de 15% a 25% de seguidores falsos

Redação - O Estado de S.Paulo

Análise foi feita pela FAAP e pesquisadores ressaltam que isso não significa que foram os próprios perfis que compraram seguidores

Estudo concluiu que seguidores falsos no Instagram são inerentes a influenciadores digitais. 

Estudo concluiu que seguidores falsos no Instagram são inerentes a influenciadores digitais.  Foto: Pixabay

Um estudo inédito realizado pelo Núcleo de Inovação em Mídia Digital (NiMD) da Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP) mostra que as influenciadoras digitais brasileiras que atuam no nicho de moda, beleza e lifestyle têm de 15% a 25% de seguidores falsos no Instagram.

Os pesquisadores coletaram dados de 25 perfis, com o auxílio da ferramenta HypeAuditor, durante o mês de junho. Os perfis foram divididos em cinco grupos, com cinco influenciadoras em cada, todas escolhidas aleatoriamente, e suas identidades não foram divulgadas.

O grupo 1 foi composto por artistas e atrizes com mais de 1 milhão de seguidores; o grupo 2 inclui influenciadoras com mais de um milhão de seguidores; o 3, influenciadoras que têm entre 200 mil e 500 mil seguidores; no 4, aquelas com 20 mil a 50 mil seguidores e, no 5, microinfluenciadoas (entre 3 mil e 10 mil seguidores).

Os resultados mostram que as influenciadoras, independente do número de seguidores, possuem de 15% a 25% de seus seguidores formados por perfis falsos ou que usam ferramentas para gerar interações automáticas. Para identificar esses seguidores falsos, são avaliados fatores como o número de seguidores e pessoas que a conta segue, número de publicações, resolução das fotos, data da criação da conta, entre outros dados.

"Esses dados apontam para a hipótese de que a existência de contas falsas é uma constante que não se pode evitar, seja para influenciadores com mais de 1 milhão de seguidores ou para os menores, com até 10 mil", comenta Eric Messa, coordenador do NiMD e autor do estudo, e ressalta que isso não significa que os próprios influencadores compraram os seguidores: "Para que passem despercebidas, contas falsas começam a seguir influenciadores por iniciativa própria”.

O estudo ainda analisou o nível de engajamento dos perfis, o que envolve curtidas, comentários, respostas e compartilhamentos. Em geral, quanto maior o número de seguidores, menor o índice de engajamento. Entre os perfis de artistas e atrizes, o engajamento feito por pessoas reais e não por ferramentas automáticas gira em torno de 60%, enquanto no caso de influenciadoras, o nível cai para 45%.

"É de extrema importância o desenvolvimento de estudos sobre influenciadores digitais brasileiros, uma vez que há um movimento de crescimento dessa área, a partir do envolvimento de grandes empresas, mas faltam referências e, de um modo geral, mais maturidade”, opina o coordenador.