Estudo mostra que as girafas têm vidas sociais complexas, ao contrário do que se acreditava

Redação - O Estado de S.Paulo

Pesquisadores ingleses afirmam que a espécie de mamíferos é mal compreendida

Segundo estudo, as girafas apresentam sistemas sociais cooperativos complexos e matrilineares

Segundo estudo, as girafas apresentam sistemas sociais cooperativos complexos e matrilineares Foto: Goran Tomasevic/Reuters

A girafa sempre foi vista como um animal solitário, até esse momento. Pesquisadores da Universidade de Bristol, na Inglaterra, revisaram mais de 400 estudos científicos e desvendaram um comportamento social cooperativo complexo, diferente do que se acreditava. 

O estudo de Zoe Muller e Stephen Harris foi publicado na revista Mammal Review com o título Uma espécie mal compreendida. “Demorou até 2021 para reconhecer que as girafas têm um sistema social complexo. Há décadas sabemos de outros mamíferos socialmente complexos, como elefantes, primatas e cetáceos [baleias], mas é desconcertante como uma espécie tão carismática e conhecida como a girafa pode ter sido tão pouco estudada”, afirmou a bióloga Zoe Muller, em entrevista à CNN americana.

Foram analisados artigos científicos sobre o comportamento e a organização social das girafas, com populações em ambiente selvagem e cativeiro. O que se observou foram sistemas sociais cooperativos complexos e sociedades matrilineares, formada por grupos estáveis de fêmeas e dispersão dos machos, assim como os elefantes. 

As girafas passam até 30% de suas vidas em estado pós-reprodutivo. As fêmeas podem viver até 30 anos, sendo que a idade reprodutiva vai até 20 anos, aproximadamente. Após a menopausa, as girafas continuam cuidando dos mais jovens, garantindo melhores condições para a sobrevivência da espécie.