Escola distribui cartilha que compara criança gorda a botijão de gás

Redação - O Estado de S.Paulo

Caso aconteceu em escolas municipais de São José dos Campos (SP); prefeitura diz que material foi removido

'A Fantástica Magia dos Alimentos': cartilha foi criticada por ter conteúdo que promove bullying contra crianças acima do peso.

'A Fantástica Magia dos Alimentos': cartilha foi criticada por ter conteúdo que promove bullying contra crianças acima do peso. Foto: Editora Amigos

A Prefeitura de São José dos Campos virou alvo de críticas após pais notarem que uma cartilha distribuída na última semana em uma escola municipal da cidade contém um discurso preconceituoso contra crianças obesas.

Intitulado A Fantástica Magia dos Alimentos, o livro tem quadrinhos em que uma criança acima do peso é comparada a um botijão de gás; em que uma menina gorda se assusta ao olhar no espelho e diz não conseguir passar por uma porta por conta do corpo. As imagens foram divulgadas inicialmente pelo G1.

Em nota, a Secretaria de Educação e Cidadania esclareceu que a cartilha foi utilizada durante uma aula de educação física da escola Professora Maria de Melo, no Parque Industrial, durante um projeto sobre alimentação saudável. "O material estava guardado na escola e uma professora utilizou como material de consulta, com a finalidade de dar tratamento lúdico ao projeto. A Secretaria de Educação e Cidadania informa também que os professores recebem formação continuada para melhor organizar suas práticas pedagógicas e que já recolheu todas as cartilhas", diz a nota.

Atualização em 18/04, às 12h29. A editora responsável pela publicação é a Amigos da Natureza. Em seu site oficial, é possível ver algumas informações sobre a cartilha, como que o público-alvo é para crianças a partir dos seis anos, porém não há menção do autor ou profissionais responsáveis pelo conteúdo do livro. Procurada pelo E+, a editora explicou que o livro foi produzido em 2010, "quando alguns conceitos não eram tão severos como nos dias de hoje", e que a intenção do material é "promover um debate saudável sobre hábitos alimentares". 

A editora ainda alegou que, desde 2010, diversos Estados e municípios adquiriram o material, mas nunca houve reclamação, e que, "diante da polêmica ora instalada, o produto foi retirado do mercado para adequações que sejam apontadas e necessárias e que os clientes que acharem necessário poderão devolver o material e receberão outro que atenda aos mesmos interesses". 

Veja abaixo algumas páginas da publicação que geraram críticas: