Efeitos da castração podem provocar obesidade em gatos; saiba como evitar

Caio Nascimento* - O Estado de S.Paulo

Especialista explica que calor elevado pode levar bichanos com sobrepeso à morte

Sobrepeso em gatos pode causar lesões físicas, mas há soluções pouco exploradas para o problema.

Sobrepeso em gatos pode causar lesões físicas, mas há soluções pouco exploradas para o problema. Foto: Pixabay

Nicolau é um gato de sete anos que sente na pele os efeitos da obesidade. Apesar de correr e brincar, o pet se locomove menos que outros felinos, devido ao sobrepeso, e tem problema nos rins. O animal começou a engordar depois da castração e toma suplemento ômega 3 para digerir melhor os alimentos.

"Ele tem pouco espaço para brincar, porque vive em um apartamento pequeno e não controlamos a ração por muito tempo, foi aí que ele engordou muito depois de castrado", explica a tutora Ana Pellegrini, que o leva ao veterinário duas vezes ao ano.

De acordo com o veterinário Jorge Morais, casos como esses são comum, uma vez que os bichanos ficam mais lentos ao perderem os testículos ou os ovários. "A falta dessas partes gera uma mudança hormonal que deixa o animal menos ativo devido à diminuição do metabolismo", explica.

Calor elevado pode matar

Assim, o especialista alerta que é necessário ter cuidado com o ganho de peso que a retirada desses órgãos pode causar. "O gato pode vir a ter dificuldade respiratória, acúmulo de gordura no tórax e no fígado, que pode levar a uma cirrose hepática", afirma. "É possível, também, acontecer a obstrução dos vasos sanguíneos, levando o felino à redução do fluxo de sangue ou até mesmo ao enfarte", complementa.

Nicolau engordou depois da castração.

Nicolau engordou depois da castração. Foto: Cida Pais

Para agravar o quadro, Jorge alerta que a redução da capacidade respiratória de gatos obesos pode ser letal em dias quentes. "Há um aumento de pressão cardíaca que exige  que o pet expire e inspire mais. Já vi felinos entrarem em colapso e morrerem na minha frente por não conseguirem suprir essa necessidade", recorda.

Dessa maneira, ele recomenda que os bichanos sejam levados ao médico a cada seis meses para não só tratar ou descobrir eventuais doenças, como também calcular a quantidade ideal de calorias que o tutor deve dar por dia. A medida é necessária principalmente em casos de mudança de peso ou alterações metabólicas.

Problemas físicos

A universitária Bárbara Reis cuida de seu gato George, de cinco anos de idade, e afirma que o bicho começou a engordar rapidamente aos dois. "Ele sempre foi muito faminto e pede mais comida que o outro que tenho em casa. Minha avó cuida dele e dá comida sempre que ele quer", relata.

O hábito restringiu os movimentos de George. O animal não consegue mais dar saltos ousados como outros gatos em condições normais fazem. "Aos dois, ele fraturou a pata ao pular de um lugar alto, pois o sobrepeso o atrapalhou", relembra.

Diante disso, Jorge Morais conta que o excesso de gordura pode degenerar as articulações e causar problemas na coluna do pet, o que dificulta a locomoção. Nesses casos, o veterinário aconselha o tutor a procurar um fisioterapeuta.

George come ração para gatos obesos duas vezes ao dia.

George come ração para gatos obesos duas vezes ao dia. Foto: Bárbara Reis

A bióloga Dalila Liev é dona de três gatos e afirma que já recorreu a um veterinário para realizar massagens em um deles, o Chico. A técnica evita contrações musculares involuntárias, aumenta o fluxo sanguíneo e melhora as articulações ao aprimorar a elasticidade dos ligamentos.

Fora essa técnica, os felinos podem ser submetidos ao uso de superfícies frias sobre a pele para aliviar dores e inflamações. Esse processo pode, dependendo da recomendação profissional, substituir o uso do medicamento cortisona, que segundo Jorge,  aumenta a retenção de líquido e eleva o apetite.

*Estagiário sob supervisão de Charlise Morais