É possível detectar emoções através das expressões faciais de cães?

Camila Tuchlinski - O Estado de S.Paulo

A pedido da reportagem do E+, especialista em decodificação facial analisa rostos de pets e fala sobre sentimentos caninos

Expressões faciais em cachorros são semelhantes às emoções dos humanos, revela especialista Armando Moucachen Sant'Anna.

Expressões faciais em cachorros são semelhantes às emoções dos humanos, revela especialista Armando Moucachen Sant'Anna. Foto: Adriana Pelege/ Camila Tuchlinski/Instagram/@rodrigo.agnelli

Você sabe quando o seu cãozinho está alegre, triste ou com raiva? Se ele abanar o rabinho, logo pensa, ‘deve estar contente’. Se ficar com os olhinhos levantados para cima, é porque está pedindo para dar uma voltinha, certo? Nem sempre.

Com o objetivo de descobrir o que revelam as expressões faciais dos pets, a reportagem do E+ pediu ao especialista em Linguagem Não Verbal e Micro Expressões Faciais Armando Moucachen de Sant'Anna uma análise do rosto de alguns cachorros. E os resultados podem ser surpreendentes.

O professor explica que há uma diferença entre ‘rugas de expressão’ e ‘expressão facial’. Quando experimentamos emoções, os músculos faciais rapidamente reagem de maneiras específicas para cada emoção. Quando uma emoção se repete mais do que as outras, é normal que a face fique marcada. À essas marcas, ocasionadas por repetidos movimentos musculares faciais, dá-se o nome de ‘rugas de expressão’.

Mas é possível dizer que as expressões dos cães são semelhantes às dos humanos? “Temos muitas semelhanças sim, apesar de os nomes dos músculos serem diferentes. O ponto semelhante é que por termos um sistema límbico - tanto nós quanto todos os outros mamíferos -, somos passíveis de emoções e dessa forma temos reações involuntárias quando vivenciamos uma situação”, esclarece Sant’Anna. 

O adestrador comportamentalista da Cãocentrado, Thiago Barbieri, lembra que algumas raças acabaram ganhando rótulos de mais ‘agressivas’ ou ‘carinhosas’ do que outras. “Não gosto de classificar as características por raça. A gente trabalha muito as questões individuais. As pessoas criam alguns estereótipos. Então, golden é um cachorro ‘fofinho’, o border collie é mais ‘inteligente’, e por aí vai. Na verdade, são indivíduos com características próprias”, diz.

No entanto, Barbieri acrescenta que alguns cães têm comportamento padrão. “Por exemplo, border collie é uma raça atlética que gosta muito de atividade. Golden também demanda muita energia. Um schnauzer é um cachorro que está sempre em alerta. Existem características genéticas, do ambiente e a personalidade do animal. Esse tripé que forma o comportamento. Se um cachorro vive em um ambiente rico em desafios, em oferecer os comportamentos naturais, será mais equilibrado do que aquele que não tem essas possibilidades”, afirma o adestrador.

 

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Quais reações esperar para cada tipo de emoção?

Assim como os humanos, o organismo dos cães apresenta reações orgânicas específicas para cada emoção vivida. Além da reação física, o lado emocional pode ser detectado. Veja na análise de Armando Moucachen de Sant’Anna as reações apresentadas tanto por humanos como para os pets ao demonstrar algumas emoções. 

Ameaça: Em situações como esta, nosso corpo acelera nosso batimento cardíaco, transfere mais sangue para as pernas, busca liberar todo peso em excesso (por isso, é comum o fato de defecar ou urinar ao ficar com medo), pupila contrai, tendemos a nos proteger nos encolhendo e ficamos mais atentos. 

Felicidade: Nossa temperatura corpórea aumenta, os músculos ao redor dos olhos sutilmente se fecham (produzindo ‘pés de galinha’) e sorrimos com um músculo chamado zigomático maior.

Tristeza: Ao vivenciarmos um momento de tristeza, há uma elevação da parte interior da sobrancelha, nosso lábio fica curvado para baixo e o queixo se enruga.

Raiva: O corpo é expelido para frente, podemos ‘rosnar’, a testa fica enrugada e olhos abertos.

Nojo: Ao sentir nojo de algo ou alguém nos afastamos daquilo que nos causa esse mal estar. Fechamos os olhos, o nariz (o que causa uma ruga no prócero) e podemos até colocar a língua para fora.

O especialista em Linguagem Não Verbal e Micro Expressões Faciais Armando Moucachen de Sant'Anna afirma que, com os cães, as semelhanças são impressionantes. “Como há uma repetição muito precisa de sinais para um dado estímulo, podemos assumir que há sim uma linguagem não verbal específica condizente a cada uma das emoções. E, sim, são comparáveis aos humanos”, conclui.

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