Dois anos depois, número de bonecas negras comercializadas segue o mesmo

Redação - O Estado de S.Paulo

Houve um pequeno aumento no número de bonecas pretas fabricadas em relação a 2016 no Brasil, que foi de 6,3% para 7%

Campanha 'Cadê Nossa Boneca?' repetiu pesquisa e constatou que número de bonecas negras comercializadas continua o mesmo. 

Campanha 'Cadê Nossa Boneca?' repetiu pesquisa e constatou que número de bonecas negras comercializadas continua o mesmo.  Foto: Akintunde Akinleye/REUTERS

Em 2016, um estudo da Campanha Cadê Nossa Boneca?, da ONG Avante, mostrou que apenas 3% das bonecas comercializadas no Brasil eram negras. Dois anos depois, o estudo foi repetido e o número continua o mesmo, com um leve aumento apenas na fabricação de bonecas negras.

O segundo levantamento foi feito em março deste ano, e foi contabilizado um total de 762 modelos de bonecas fabricadas. Destes, apenas 53 eram negras (7%). Dos 26 fabricantes analisados, 14 possuem bonecas negras nos seus inventários – em 2016, foram identificados 1.945 modelos, dos quais 131 eram negras, chegando a um percentual de 6,3%.

No que se refere à venda on-line, o porcentual de bonecas negras é ainda menor do que o de bonecas fabricadas. Enquanto são fabricadas uma média (dos dois anos) de 6.5%, apenas 3% das bonecas presentes nos sites de venda são negras. Segundo Mylene, foram analisados os sites das Amercianas.com; Ri Happy e Walmart.com.

Segundo o levantamento, que teve como escopo os principais fabricantes de brinquedos e o comércio online brasileiro, o cenário permanece praticamente o mesmo. A pequena mudança no cenário se deu em relação ao fabricante com maior número de bonecas negras no inventário.

Dois anos atrás, o fabricante Miele foi apontado como aquele com maior porcentagem de bonecas negras em seu portifólio - 25% dos modelos, sendo três no total dos nove que fabrica, seguido pelo Sideral com 23% e Milk com 15%. Neste ano, o fabricante Milk passou a encabeçar a lista, com 12 modelos de bonecas negras, seguido por Roma Brinquedos, com oito bonecas.

Foram analisadas as bonecas produzidas pelos fabricantes de brinquedos associadas à Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), repetindo a metodologia utilizada no levantamento realizado em 2016.

Mylene Alves, psicóloga e uma das idealizadoras da Campanha, conta que um dos principais desafios para a iniciativa foi encontrar dados sistematizados e precisos sobre a fabricação e comercialização de bonecas negras no mercado brasileiro, para basear sua argumentação.

Então, foi realizado o primeiro levantamento de dados sobre as práticas do Trade de bonecas, para lançar luz sobre a questão. Repetindo a pesquisa dois anos depois se percebe que “há uma prevalência de bonecas brancas entre os principais revendedores de brinquedos online disponíveis para compra”, conta Mylene.