Dia Mundial do Gato: veja mitos e dicas sobre o comportamento dos felinos

João Pedro Malar* - O Estado de S.Paulo

Em 17 de fevereiro, um dos companheiros favoritos dos humanos recebe homenagens

O Dia Mundial do Gato é comemorado no dia 17 de fevereiro, como homenagem para os animais

O Dia Mundial do Gato é comemorado no dia 17 de fevereiro, como homenagem para os animais Foto: Pixabay

Os gatos são um dos mais antigos e fofos animais de estimação do homem, e o sucesso deles é tão grande que foi criado o Dia Mundial do Gato como forma de homenagem. A data é comemorada em 17 de fevereiro, mas também existe o Dia Internacional do Gato, celebrado no dia 8 de agosto.

Hoje, já são 22 milhões de gatos no Brasil, segundo dados do IBGE, e graças a essa popularidade, é comum que existam várias afirmações sobre o comportamento desses animais. Além de muitas pessoas estão procurando dicas de como lidar com esses animais. Pensando nisso, o E+ reuniu alguns fatos e mitos sobre esses pets; confira abaixo.

 

Ao mostrar sua barriga, os gatos mostram submissão ao seu dono

Marcio Barboza, médico-veterinário e gerente técnico pet da MSD Saúde Animal, classifica essa afirmação como um mito. Para o veterinário, o contato com gatos nesta situação pode até resultar em alguns arranhões. “Os felinos estão demonstrando confiança [com este ato] e podem encarar o contato como uma ameaça a sua dominância do local”, explica ele.

É importante ficar atento a alguns comportamentos dos gatos, como quando eles deixam a barriga exposta ou ronronam

É importante ficar atento a alguns comportamentos dos gatos, como quando eles deixam a barriga exposta ou ronronam Foto: Pixabay

Já Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal, associa o comportamento mais a uma demonstração de confiança em relação ao dono e ao ambiente do que de submissão. “Ao expor a barriga, os pets estão claramente demonstrando confiança e relaxamento”, comenta Rossi. Ele observa, porém, que alguns gatos realmente podem ter uma tolerância menor com esse tipo de contato, por isso a agressividade.

Amanda Nori, de 32 anos, é dona do Chico, um gato de sete anos que faz sucesso no Instagram, com o perfil Cansei de ser gato. Segundo ela, o “gato influencer”, que tem mais de 490 mil seguidores, só mostra a barriga para quem ele conhece, e geralmente para pedir carinho.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

sextou #canseidesergato

Uma publicação compartilhada por Cansei de ser gato (@canseidesergato) em

A médica-veterinária Natália Lopes, líder de comunicação científica da Royal Canin Brasil,  destaca que também é importante ficar atento a outros hábitos dos animais. “O ronronar pode representar submissão e contentamento, mas o gesto de movimentar o rabo demonstra geralmente irritação, ao contrário [da atitude] dos cães, que costuma ser interpretada como satisfação”, comenta ela.

 

Gatos podem ter dificuldade de descer de lugares muito altos

“Eles não são anatomicamente projetados para descer de locais muito altos, e podem até sofrer graves quedas”, explica Marcio Barboza ao explicar porque a informação é verdadeira

Alexandre Rossi destaca que as unhas retráteis ajudam na subida, mas não na descida - o que geralmente causa acidentes. Porém é possível orientar os animais a descer de ambientes altos. “A dica é ensinar a descer de ré, induzindo a descer (geralmente um pouco de ração úmida ajuda muito aqui) com as patas se alternando”, comenta Rossi.

Amanda relata que a habilidade para lidar com altura varia de acordo com cada gato. O Chico, por exemplo, tem uma dificuldade inicial de subir nos lugares, por não ser um gato grande. Já outra gata que Amanda possui consegue subir e descer de locais altos com facilidade.

 

Meu gato sabe quando eu estou me preparando para viajar

Amanda comenta que, no geral, tem a sensação de que seus gatos parecem perceber quando ela vai viajar, ficando dentro da mala ou sendo mais participativos.

Para Barboza, o nervosismo ou carência que os gatos apresentam quando alguém está arrumando a mala para viajar representa muito mais a expectativa por parte do animal de receber mais carinho. Isso acontece pois “o pet identifica alguns rituais como uma forma de obter atenção ou um sinal de mudança na rotina”.

Os gatos gostam de ficar dentro de caixas ou caixotes, e malas também são locais tentadores

Os gatos gostam de ficar dentro de caixas ou caixotes, e malas também são locais tentadores Foto: Pixabay

Rossi também adiciona que gatos adoram se aninhar em caixas e caixotes, o que torna uma mala com roupas do dono bastante convidativa.

 

Gatos derrubam a água da tigela por não enxergar bem

Esse comportamento é realmente verdadeiro, mas os especialistas destacam que ele pode ter duas origens. Alguns gatos fazem isso por não ter uma visão muito boa, “já que apresentam por natureza um pouco de miopia”, explica Barboza. Outros, porém, fazem isso pois gostam de brincar com a água ou derrubam coisas como brincadeira.

A maioria dos gatos já nascem com um pouco de miopia 

A maioria dos gatos já nascem com um pouco de miopia  Foto: Pixabay

Rossi segue a linha de Barboza, comentando que os gatos preferem tomar água que esteja em movimento. “Uma ideia é deixar fontes de água espalhadas pela casa para estimular maior ingestão hídrica, já que [os gatos] tendem a ter problemas renais na velhice”, sugere ele.

A percepção de Amanda é que o comportamento, em especial de derrubar coisas, parece mais uma estratégia para chamar a atenção dos donos.

 

Gatos não têm pulgas ou carrapatos

A informação não apenas é mentira, como abre margem para descuidos com a saúde dos animais. “Felinos podem sim sofrer muito com pulgas e inclusive obter doenças desses parasitas, como dermatite e anemia infecciosa. Já os carrapatos são mais raros em gatos, mas também podem se alojar no pet”, explica Barboza. Rossi também classifica a informação como falsa, e destaca que é importante proteger o animal e realizar a prevenção.

 

Dicas para ajudar a lidar com gatos

Amanda, que é dona de quatro gatos, comenta que cada um possui uma personalidade diferente, o que dificulta achar algo que funcione para acalmar ou lidar com eles. “Tentar dar atenção igual é algo que funciona, por exemplo em brigas”, comenta ela. 

“[Os gatos] só comem alimentação úmida, a ração vira mais uma brincadeira pra eles”, diz ela ao adicionar os petiscos como uma forma de tranquilizar ou ensinar os animais. Ela revela que nunca precisou contratar um adestrador para os gatos, mas já chegou a pedir algumas dicas ou informações.

Conforme Chico foi ganhando mais seguidores, Amanda notou que a conta recebia diversas mensagens de pessoas pedindo dicas ou ajuda para lidar com gatos. Por isso, foi criado o podcast cansei de ser gato, com respostas para dúvidas e comentários de especialistas.

Ela comenta que a dúvida mais comum é o que fazer quando os gatos fazem xixi fora da caixa de areia. “Primeiro deve-se procurar um veterinário para descartar um problema de saúde, se [o gato tem] incomodo pra fazer xixi ou coco, ele associa a dor à caixa. Não tendo problema [de saúde] pode ser algo de comportamento, pode-se até procurar um especialista sobre o tema”, explica ela.

Uma dica que a veterinária Natália Lopes dá é aproveitar uma fase importante no começo da vida dos animais: “o período de socialização dos gatos ocorre em sua primeira fase de vida: esse é o momento para lhes apresentar, por exemplo, texturas diferentes de alimentos e colocá-lo em contato com outros animais”.

Os gatos possuem alguns comportamentos naturais, como arranhar ou caçar presas

Os gatos possuem alguns comportamentos naturais, como arranhar ou caçar presas Foto: Pixabay

Alexandre Rossi diz que “a dica principal, pensando no gato como espécie, é permitir que ele expresse seus comportamentos naturais quando em nossas casas”. Ele destaca que é possível adaptar esses comportamentos, como arranhar, escalar ou perseguir presas, para o ambiente doméstico, permitindo que os gatos façam atividades prazerosas para eles.

Como fazer isso? Rossi sugere colocar arranhadores na casa, ressaltando que os de altura de um metro costumam ser os ideais, além de prateleiras e módulos para eles escalarem e estimular o instinto de caça usando brinquedos que simulem o comportamento de uma presa. “São pequenas  adaptações no dia a dia que podem fazer toda a diferença para uma vida mais legal para eles”, conclui o especialista.

VEJA TAMBÉM: 10 notícias envolvendo gatos para melhorar o seu dia

Pixabay / @DariuszSankowski
Ver Galeria 11

11 imagens

*Estagiário sob supervisão de Charlise Morais