Dia do Voluntariado: a pandemia foi um catalisador de boas ações e mudou a forma de contribuir

Luisa Paiva - Especial para o Estadão

Veja dicas do especialista sobre como ajudar sem sair de casa

Com rede de doações e de fiscais voluntários, Paraisópolis reduziu infecções de covid

Com rede de doações e de fiscais voluntários, Paraisópolis reduziu infecções de covid Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, em março de 2020, a necessidade de ajuda aumentou, assim como a busca por trabalhos voluntários. Neste 28 de agosto, Dia Nacional do Voluntariado, saiba como é possível ajudar de forma online quem precisa, sem ter que se deslocar até uma organização social

Com o isolamento social e a queda na renda do brasileiro, os grupos vulneráveis ficaram em uma situação ainda mais difícil: idosos, profissionais autônomos, pessoas em situação de rua e cada vez mais pessoas abaixo da linha da pobreza. Para ajudar, o voluntariado buscou formas de ajudar sem correr riscos.

O especialista Marcelo Nonohay, referência na área de voluntariado e diretor da MGN Consultoria, avalia como a pandemia mudou a forma de se dedicar ao trabalho voluntário. "Temos acompanhado movimentos recordes de captação de recursos. Tendo em vista a gravidade dos impactos imediatos da pandemia, a resposta de empresas e indivíduos foi realmente formidável, quando comparado com o nosso histórico na filantropia", destaca. 

Além das arrecadações de dinheiro e materiais, as pessoas buscam alternativas para doar seu tempo às causas sociais, através da ajuda online. "Realizar ações à distância usando o poder e conveniência das tecnologias de informação e comunicação já era algo muito falado no meio e priorizado pelo Programa de Voluntários das Nações Unidas. A pandemia acelerou essa tendência que já vinha despontando há anos, mas de alguma forma ainda não havia sido plenamente abraçada", conta Nonohay.

As vantagens do voluntariado online

No voluntariado online, diferente de trabalhar presencialmente em uma ONG, os horários podem ser flexíveis, moldados à sua rotina, e não tem custo de transporte até a organização. Além disso, a internet tem um grande poder mobilizador para conseguir mais ajuda e atingir mais pessoas beneficiadas. 

O voluntário tem a oportunidade de desenvolver novos olhares sobre o uso dos canais digitais para a prática de boas ações com potencial de gerar grandes impactos, aprimorar a capacidade de trabalhar à distância e estabelecer contato com diferentes pessoas e culturas. A experiência pode ser incluída no currículo quando atrelada ao que o voluntário faz profissionalmente.

Como em qualquer trabalho, é preciso ter clareza sobre qual o seu foco de atuação. "Na hora de definir o tipo de voluntariado online, tenha em mente dois caminhos possíveis: oferecer um trabalho que esteja alinhado ao que faz profissionalmente ou querer desenvolver outras habilidades", orienta Marcelo Nonohay. Busque uma organização que precise do serviço que você quer desenvolver e se ofereça.

Existem muitas formas de ajudar, além de trabalhar diretamente para uma organização: estimular os pequenos produtores e comércios locais; divulgar campanhas de arrecadação de cestas básicas para pessoas em situação de vulnerabilidade social; divulgar contatos de organizações sociais que precisam de ajuda; compartilhar boas ações em suas redes sociais para estimular que seus familiares e amigos façam o mesmo.

As ações de voluntariado online contribuem para que a sociedade sofra menos danos quando a pandemia estiver controlada.

O voluntariado no Brasil 

A última pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, mostra que neste ano o trabalho voluntário foi realizado por 6,9 milhões de pessoas, 300 mil a menos do que no ano anterior, uma queda de 4,3% para 4% da população. “Já vivíamos em um País muito desigual e nem por isso tínhamos percentuais de voluntariado ou de doadores sequer comparáveis com outros países como Estados Unidos, Nova Zelândia e Austrália", lamenta Marcelo, se referindo aos países onde a porcentagem de pessoas voluntárias é cerca de 40%.

Marcelo Nonohay explica que a maior parte das ações no Brasil é ligada às religiões, e que ainda precisamos desenvolver uma cultura de voluntariado menos focada no assistencialismo e mais focada no desenvolvimento das comunidades e na participação cidadã das pessoas. 

Segundo o especialista, no Brasil, ainda existe uma percepção de que trabalho voluntário é “trabalhar de graça”. "Sobram justificativas de falta de tempo e de não saber acessar as Organizações Sociais. Espera-se muito do Estado para resolver todos os problemas sociais e ambientais. Temos que vencer essas barreiras para manter o mesmo nível de solidariedade visto durante a pandemia", enfatiza. 

Para as pessoas que estão pensando em se engajar em alguma ação voluntária, Nonohay aconselha: "Encontre uma causa que você se identifique, pesquise organizações que trabalham com esse tipo de causa e se ofereça para ajudar. Não espere ter tempo sobrando, nem espere passar a pandemia. Todas as causas se tornaram urgentes e com as inúmeras possibilidades de trabalho voluntário remoto é possível contribuir de forma segura e conveniente".