Dalai Lama pede desculpas por declarações machistas em entrevista à BBC

Redação - O Estado de S.Paulo

‘Ele lamenta profundamente que as pessoas tenham ficado ressentidas’, diz comunicado do líder espiritual

Dalai Lama.

Dalai Lama. Foto: Stephen Crowley/The New York Times

Um pedido de desculpas através de um comunicado oficial. Foi assim que o líder espiritual Dalai Lama decidiu se manifestar a respeito de declarações polêmicas que fez sobre as mulheres e que foram consideradas machistas.

Em entrevista ao canal britânico BBC na quinta-feira, 27, ele falou sobre o fato de uma possível substituta dele ser uma monja.

“Se uma dalai-lama mulher fosse, acho que as pessoas prefeririam não olhar para ela”, respondeu, fazendo uma careta. Questionado se ele não acreditava que o interior de uma pessoa era mais importante do que a aparência, respondeu: “Penso que ambos”.

O comunicado oficial de Dalai Lama sobre o assunto explica: “A respeito da pergunta se sua reencarnação poderia ser uma mulher e ao sugerir que ela deveria ser mais atraente, Sua Santidade genuinamente não quis ofender”, enfatiza a nota. O documento também diz que o líder tibetano “lamenta profundamente que as pessoas tenham ficado ressentidas pelo que disse e oferece sinceras desculpas”.

Dalai Lama permanece em exílio no norte da Índia, na região de Dharamsala.

Fazendo alusão a idade do líder espiritual, a nota destaca que “Sua Santidade, um monge agora com oitenta e poucos anos, tem grande senso das contradições entre o mundo materialista e globalizado que encontra em suas viagens e as ideias complexas e esotéricas sobre a reencarnação que estão no coração da tradição budista tibetana”.

Dalai Lama também diz que sempre se opôs à objetificação das mulheres, as apoiou em seus direitos e “celebrou o crescente consenso internacional em apoio à igualdade de gênero e respeito às mulheres”, conclui.